XXVI Encontro Nacional de Mestres Alfaiates

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Decorreu em Figueiró dos Vinhos, no dia 31 de Maio, o Encontro Nacional de Mestres Alfaiates, que vai já na 26ª edição.

Participarem no encontro cerca de 70 pessoas, entre alfaiates e familiares, que foi organizado em Figueiró dos Vinhos por Joaquim Dias (Quineta), da empresa Dias & Conceição, armazenista de tecidos com estabelecimento na Vila. De todo o país vieram mestres alfaiates, desde Lisboa e Porto, Bragança, Oliveira de Azeméis, Paião, Águeda e Aveiro, Ponte da Barca e Ponte de Lima, Penalva do Castelo, Grijó, e outras localidades.

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Os participantes desta 26ª edição do Encontro Nacional de Mestres Alfaiates foram recebidos no salão nobre dos Paços do Concelho pelo presidente da Câmara Municipal, após o que foi servido o pequeno-almoço no jardim municipal. Seguiu-se uma visita à Igreja Matriz e ao Convento do Carmo, para depois a comitiva rumar às Sarzedas de São Pedro, em Castanheira de Pera, para uma visita à fábrica de lanifícios Albano Morgado SA, onde foram recebidos pela administração da empresa, sendo no final da visita servidos alguns aperitivos para o almoço que viria de seguida.

O almoço decorreu no Restaurante Paris, em Figueiró dos Vinhos, e na ocasião foram distribuídos a cada um dos Mestres presentes um corte de tecido para fato, oferta das empresas Albano Morgado SA, de Castanheira de Pera, A. Saraiva Ldª. da Covilhã, Dormeuil, e Dias & Conceição, de Figueiró dos Vinhos.

 

Nascido em 1988, o Encontro de Mestres Alfaiates foi uma ideia de um vendedor de figurinos, o Sr. Damião, de Guimarães, que tinha como seus clientes os alfaiates do norte do país.

Em conversa com o Sr. Néu, da Alfaiataria Moderna de Ponte da Barca, e nosso interlocutor a par de Joaquim Dias neste artigo, confidenciou-lhe o desejo de realizar um encontro de alfaiates, pedindo-lhe ajuda para o concretizar. Tal veio a acontecer, realizando-se o I Encontro de Mestres Alfaiates do Norte do País em Ponte de Lima, no dia 24 de Abril de 1988. No ano seguinte o evento já foi organizado a nível nacional, e houve mesmo uma experiência internacional nos anos 90, com o Congresso Mundial dos Mestres Alfaiates, realizado em Lisboa, com os trabalhos a decorrerem no Hotel Ritz, e desfile de moda no Casino Estoril.

Segundo o Mestre Néu, alfaiate de quarta geração familiar nesta arte em Ponte da Barca, e como vimos, impulsionador destes encontros, a finalidade que preside à iniciativa é a necessidade da troca de informação entre os profissionais, em assuntos tão diversos como a aprendizagem, vencimentos, corte, novas técnicas, moda e estética, psicologia aplicada ou meio ambiente.

Ainda segundo o nosso interlocutor, o futuro da profissão, que em sua opinião nunca acabará, está dificultado pelas novas realidades. A idade dos alfaiates é na generalidade avançada, e apenas alguns “miúdos”, filhos de alfaiates, continuam hoje em dia a profissão.

Isto porque longe vão os tempos em que os aprendizes, na prática, pagavam para aprender a profissão. Crianças de 11 anos ou menos iniciavam a carreira como aprendizes sem receber salário, e quando começavam a conseguir produzir com alguma qualidade, parte dos primeiros salários revertiam para o Mestre, a título de pagamento da aprendizagem e dos eventuais prejuízos causados.

Hoje em dia, segundo o alfaiate Néu, com o alargamento da escolaridade obrigatória, as crianças que eventualmente chegassem à alfaiataria para aprenderem o ofício, chegavam com uma idade em que já não têm paciência para passarem o dia fechados a cortar e cozer panos.

Não de menor importância são as exigências laborais de hoje em dia: “se meter um miúdo como aprendiz de manhã, à tarde tenho que o inscrever na Segurança Social e pagar-lhe o ordenado mínimo” referiu, tornando financeiramente inviável o negócio. Assim, os poucos jovens que seguem a profissão são filhos de alfaiates, ficando a aprendizagem, e os custos da mesma, em família.

Aprendizagem que está longe de ser fácil, a avaliar pelo país que tem um curso de alfaiataria em actividade, a Inglaterra, onde a conclusão dos estudos até se conseguir o “canudo” demora no mínimo sete anos.

Outra dificuldade que a profissão enfrenta, para além da indústria do pronto-a-vestir, são aquilo a que chama “os intrusos”. Trata-se de pessoas que aprenderam a tirar medidas, e depois dizem ao cliente que fazem um fato por medida, quando se limitam a enviar depois as medidas para a indústria fabricar o produto final.

Mas, dificuldades à parte, a vontade de prosseguir em frente esta arte / profissão de Mestre Alfaiate é grande, e o encontro do próximo ano, embora sem data ainda marcada, vai realizar-se em Vila Cova à Coelheira, Seia, organizado pelo sr. Eduardo Saraiva Fernandes.

António B. Carreira

 

 

 

 

 

 

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