Valdemar Alves rejeita recandidatura à Câmara de Pedrógão Grande

Em Março, a concelhia do PS de Pedrógão Grande aprovou a recandidatura de Valdemar Alves, que viria a ser chumbada pela Federação Distrital de Leiria no mês seguinte.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves (PS), não se vai recandidatar nas próximas eleições autárquicas, justificando a decisão com o abandono da região do Pinhal Interior pelo Poder Central.

“Candidatar-me seria pactuar com o ato de abandono do Poder Central em relação a toda esta região do Pinhal Interior, a que se assiste há décadas, e que se mostra imperdoável depois dos trágicos acontecimentos de 2017”, afirma Valdemar Alves, num comunicado enviado à agência Lusa.

Em Março, a concelhia do PS de Pedrógão Grande aprovou a recandidatura de Valdemar Alves, que viria a ser chumbada pela Federação Distrital de Leiria no mês seguinte.

No comunicado, Valdemar Alves refere que, no último mandato e na sequência dos incêndios de 2017, procurou “sensibilizar o Poder Central para os grandes desafios que se colocavam, e colocam, a este território, perante as circunstâncias de aqui residir uma população envelhecida e serem fracos os meios financeiros para permitirem cumprir com os grandes objetivos de combate ao abandono e à inexistência de desenvolvimento tão imperiosos para esta região”.

“Confesso que, para além de presenças de representantes do Governo e outros altos dignitários do Poder Central em momentos que assinalavam a tragédia por que passou o território, assistimos à instalação em Pedrógão Grande de uma Unidade de Missão (entretanto extinta), cujos trabalhos não tiveram efeitos práticos visíveis na alteração das circunstâncias de vida em toda a zona do Pinhal Interior, tanto mais que os recursos financeiros alocados pelo Estado Central aos grandes desafios que a situação colocava não tiveram materialidade assinalável”, sustenta.

Para o presidente da Câmara, esta realidade mostrou que o seu empenhamento “não teve o mérito de mobilizar os responsáveis do Poder Central para a concretização, ainda que de pequenos sinais, de um caminho que permitisse colocar este território no mapa do desenvolvimento”, pelo que considera “não estarem reunidas as condições” para aceitar o convite do PS para se recandidatar.

A decisão agora tomada “foi bastante influenciada” pelo facto de, na experiência que teve “no contacto com os mais diversos membros do Governo ao longo dos últimos anos, sentir consolidada a ideia de que seria possível combater a desertificação e criar condições para um forte desenvolvimento económico deste território sem o apoio substancial do Estado Central”.

“Tal situação frustra totalmente as legítimas expectativas das populações, uma vez que os problemas das pessoas e do território não se resolvem apenas com algumas reuniões de trabalho sem consequências práticas e com a presença efetiva dos mais altos responsáveis do Estado nos aniversários de junho de 2017”, declara o autarca.

No entender de Valdemar Alves, prolongar no tempo a ideia da possível recandidatura “seria contribuir para a criação da ideia da existência de verdadeiras medidas de combate ao abandono deste território e das suas gentes”, destacando que, ao anunciar esta decisão, tem a forte expectativa de que “ela ajude os mais altos responsáveis deste país a entenderem que este território, altamente desertificado e com a sua população envelhecida, não pode ser continuadamente votado ao abandono”.

“Entenda-se também esta minha decisão de não me recandidatar como um grito de revolta perante este estado de coisas”, acrescenta Valdemar Alves.

Fontes: Lusa / TSF 2021.05.21

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