Resistir para não morrer: Magusto na Aldeia do Vale do Rio

No passado dia 11 de Novembro, dia de São Martinho, realizou-se mais um Magusto na aldeia do Vale do Rio, Figueiró dos Vinhos. Ainda ensombrada pelo horror das chamas do mês de Junho, a pequenina aldeia procura, ainda assim, retornar à normalidade e acreditar que as novas medidas para a prevenção de incêndios florestais propostas pelo governo venham finalmente trazer paz à sofrida população que, diga-se de passagem, tem sido sucessivamente castigada por incêndios florestais desde a década de 60.

A animação das pessoas que, de modo voluntário e espontâneo, abrilhantaram o convívio realizado com as suas concertinas a dar vida à noite silenciosa da aldeia, as castanhas quentinhas, o bom vinho e outros quitutes trazidos pelos participantes, aqueceram os corações na noite fria e assim cumpriu-se uma vez mais a tradição.

Resistir para não morrer é o lema. A união de todos – habitantes e não habitantes – poder local, Associação de Amigos do Vale do Rio,  ESAC (através do Projeto de revitalização dinamizado por Leila Rodrigues) e, mais recentemente, o apoio amigo da Associação de Vítimas de Pedrógão Grande – certamente fará com que a aldeia  sobreviva. Neste sentido, foram anunciados alguns melhoramentos para o espaço de convívio, o que muito alegrou os presentes.

Também, como já é tradição, os habitantes e amigos da aldeia não deixarão de fazer este ano o Presépio comunitário nas instalações da capela ali existente. É bem verdade que, desta vez, certamente não haverá musgo a embelezar o chão do presépio, já que o fogo tudo destruiu, mas com certeza a imaginação e a criatividade das gentes do lugar encontrará uma alternativa que será, em si mesma, uma mensagem de que é preciso encontrar soluções para os problemas e responder com resiliência às adversidades vivenciadas.

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