PSD fala em “conluio” na limpeza da estrada da morte e chama ex-ministro ao Parlamento

O Deputado do PSD Duarte Marques lembra que o ex-ministro das Infraestruturas Pedro Marques “veio logo dizer que estava tudo bem.”

O Grupo Parlamentar do PSD entregou, esta terça-feira, no Parlamento, um requerimento para ouvir o ex-ministro do Planeamento e Infraestruturas Pedro Marques acerca das notícias que dão conta de uma falha na inspeção feita pela Infraestruturas de Portugal à Estrada Nacional 236, poucos dias antes do incêndio de Pedrógão Grande.

A TSF noticiou na segunda-feira dia 18 de Fevereiro que, aquando desta inspeção, a empresa pública responsável pela fiscalização das estradas não encontrou uma única zona com limpeza da vegetação mal feita. Esta é uma conclusão que contraria o Ministério Público e até mesmo vários relatórios que foram depois encomendados pelo Estado.

Ouvido pela TSF, o deputado do PSD Duarte Marques defende que é preciso conhecer o que o ministro sabia sobre as falhas na fiscalização.

“Na altura da tragédia, o PSD, várias pessoas e vários especialistas disseram logo que aquela estrada não estava em condições e não cumpria a lei no que diz respeito à limpeza das bermas da estrada. Recordo que, na altura, o próprio ministro das Infraestruturas e Planeamento veio logo dizer que estava tudo bem e que não havia ali qualquer tipo de responsabilidade. A notícia que a TSF divulgou veio a público precisamente no dia em que esse ministro cessava funções e veio confirmar aquilo de que nós suspeitávamos. Ou seja, que há incompetência na fiscalização porque aquilo que está nesse relatório – que é terminado depois dos acontecimentos – não corresponde, em nada, à realidade”, explica o deputado social-democrata.

Neste sentido, o partido entendeu que Pedro Marques deve ser ouvido “no sentido de perceber qual a sua responsabilidade e o que é que tem a dizer sobre esta matéria.”

Duarte Marques recorda que esta “é uma das tragédias maiores” que aconteceu nos últimos anos em Portugal e assinala agora que pode estar em causa um “conluio” entre a empresa pública e o Estado.

“Todos os portugueses, todas as investigações, o observatório independente que foi nomeado, a comissão independente e os relatórios feitos pelas diversas entidades públicas e privadas vêm dizer que aquela estrada não estava em condições. A única entidade que diz que estava em condições é a Infraestruturas de Portugal, que tem a responsabilidade de fiscalizar o cumprimento da concessão com a empresa que devia estar responsável por fazer aquele tipo de trabalhos. Parece que há aqui algum conluio entre a empresa e o Estado, a tentar esconder as suas próprias responsabilidades”, atira o deputado do PSD.

 

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