Museu e Centro de Artes Exposição “Os caminhos do Naturalismo em Figueiró dos Vinhos”

P1010400Foi inaugurada no passado dia 21 de Junho, no Museu e Centro de Artes de Figueiró dos Vinhos, a exposição “Os caminhos do Naturalismo em Figueiró dos Vinhos”, comissariada por Maria de Aires Silveira.

O presidente da Câmara Municipal fez uma breve intervenção onde lembrou a crescente importância do turismo cultural, e que estas iniciativas são uma forma de o promover.

Já no Editorial do “Imagens de Figueiró”, publicação em jeito de jornal “retro” distribuída aos visitantes do museu, Jorge Abreu escreve:

“A vertente de um turismo cultural que promova e divulgue aqueles que nas Artes se distinguiram no país e no estrangeiro – citamos os figueiroenses de nascimento Simões de Almeida  (Tio) e Simões de Almeida (Sobrinho), escultores, e os figueiroenses por adopção José Malhoa e Manuel Henrique Pinto, pintores.

Assim é com orgulho que apresentamos esta Exposição denominada “Os Caminhos do Naturalismo em Figueiró dos Vinhos”. Compreende na sua maioria pinturas e esculturas dos autores acima citados. Esta mostra só é possível devido à colaboração e competência científica da Dra. Maria de Aires Silveira, Curadora do Museu do Chiado, que é a Comissária e através dela nos dá conta de quanto o Naturalismo português deve a Figueiró dos Vinhos.

Aos proprietários das obras agora em Exposição deixamos o nosso mais profundo agradecimento. Algumas delas pertencem ao Estado e estão distribuídas por alguns dos museus nacionais. Outras são de coleccionadores privados que demonstrando o reconhecimento do trabalho profissional dos   técnicos da Câmara Municipal nos cedem as suas Obras para usufruto dos figueiroenses e daqueles que nos visitam.”

P1010410A Exposição é composta por cerca de 40 peças pertencentes a colecções particulares e instituições museológicas, como o Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, Casa-Museu Anastácio Gonçalves, Museu José Malhoa, Museu Nacional Soares dos Reis, Museu Grão Vasco, Casa dos Patudos, Museu Almeida Moreira, entre outros. É constituída por 8 Núcleos:

1. A Escola de Figueiró dos Vinhos. Rapazes do campo

2. Paisagens com aspecto verdadeiro

3. Dois escultores de Figueiró. Entre o mito e a realidade

4. Pincéis ensopados em cores

5. Natureza idealizada

6. Expressões e figuras

7. No intimismo do traço

8. Da simplicidade e verdade da natureza à ideia de felicidade campestre

e estará patente até 28 de Setembro de 2014. O horário regular de visita é 10h00 – 12h30 /14h00 -18h00 (encerra à segunda-feira).

“Esta exposição traz à memória Figueiró. Pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, lembram aspectos desta zona, na viragem do século XIX – XX. Alguns artistas, sobretudo pintores e fotógrafos, entusiasmaram-se muito com a terra e criaram um fenómeno visual de projecção das vivências figueiroenses, encenadas numa idealizada trajectória de identidade nacional. José Malhoa (1855-1933) e Manuel Henrique Pinto (1853-1912), depois de terminado o curso na Escola de Belas Artes de Lisboa, passavam o Verão aqui, em “casa de telha vã, à sombra de um carvalho, no cimo de um olival, ali para os lados de S. Sebastião”. Aceitaram o convite do professor, o Mestre escultor Simões de Almeida Júnior (1844-1926), natural da terra e encantaram-se por Figueiró, pelos habitantes e pelas suas histórias. No início, atraía-os a paisagem, o recorte dos edifícios, os planos de luz, a diversidade de colorido, e, estabeleceram aqui um entendimento mútuo da pintura que a forte camaradagem proporcionou. Elegeram Figueiró e adoptaram-na. Pouco tempo depois, Henrique Pinto criava raízes e casava com a filha do senhorio. Nos anos 90, Malhoa construía uma espécie de retiro a que chamaria “Casulo”, um projecto de outro colega de Belas Artes, o arquitecto Luís Reynaud (c.1853- ) que intervinha na Igreja Matriz de Figueiró, e na capital, colaborava na decoração do elevador de Santa Justa…” (SILVEIRA, Maria de Aires , 2014)

 

Paralelamente e no primeiro piso do Museu está também patente uma exposição de fotografias antigas de Figueiró dos Vinhos:

“Fundamental, por isso, é também o acervo fotográfico existente em Figueiró dos Vinhos, já que o mesmo poderá ajudar a estabe­lecer algumas relações com o ambiente artístico que José Malhoa reuniu ao seu redor, além de o mesmo ser relevante no quadro duma leitura mais alargada da sociedade da região e dos seus novos modelos de representação que a fotografia veio proporcio­nar. São conhecidos alguns ateliers de fotógrafos profissionais que se estabelecem na região ou arredores, produzindo um acervo imagético essencial para entender a época e o ambiente rústico da região. A “Photographia Arte Nova” de Joaquim Lopes de Paiva, cunhado do Dr. Custódio Martins de Paiva, a Casa Godinho, M. Velho, o estúdio A. S. Magalhães de Tomar, a filial instalada em Figueiró do estúdio Correia & Moreira do Porto, ou ainda os amadores padre Manuel de Sousa Ribeiro e Manoel S. Telhada, são exemplos de fotógrafos que registaram as paisagens, os monumentos e as gentes de Figueiró dos Vinhos”. (TAVARES, Emília, 2014)”

Tratam-se maioritariamente de cartões postais retratando paisagens e pormenores da Vila e concelho de Figueiró dos Vinhos.

Fontes: publicação “Imagens de Figueiró” e site do Museu e Centro de Artes de Figueiró dos Vinhos

Edição de António B. Carreira

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