Miguel Portela*: O arrendamento da celeiraria do termo da cidade de Leiria em 1747

*Investigador

Em 9 de julho de 1747 foi lavrada na vila de Alcobaça uma escritura de arrendamento da celeiraria do termo da cidade de Leiria pertencente à renda da massa da vila de Aljubarrota (Apêndice documental – documento 2). Foi este contrato de arrendamento celebrado entre Manuel Francisco Ledo, rendeiro da massa da vila de Aljubarrota e Manuel Rodrigues Monteiro morador na então vila de Évora de Alcobaça, pelo período de três anos.

Reconhecemos Manuel Francisco Ledo como filho de Manuel Francisco Malaia e de sua mulher Isabel Leda o qual contraiu matrimónio em 14 de junho de 1699 com Maria Luís filha de Matias Marques e de sua esposa Joana Luís (Apêndice documental – documento 1).

Manuel Rodrigues Monteiro afirmou neste ajuste que havia tomado o dito arrendamento da celeiraria da cidade de Leiria “pertencente a renda da Massa da villa de Aljubarrota como sempre foy // [fl. 74] Foy uzo e costume andar arrendada” pela quantia anual de 156.000 réis. Ficou arrolado que o referido pagamento seria realizado aos quartéis e da seguinte maneira: “Hum pella Pascoa e outtro pellas vertudes de cada hum anno o qual arrendamento teve seo prinsipio por dia de S. João Bauptista deste prezente anno de mil e setecentos e quarenta e sete e hade acabar por outro tal dia de S. João Bauptista do anno que embora hade vir de mil e setesentos e quarenta e nove”. Neste arrendamento foi presente Manuel Rodrigues, morador em Alcanada, termo da cidade de Leiria (atual aldeia do concelho da Batalha) que ficou como fiador e principal pagamento do dito rendeiro.

 

Figura 1. Pormenor do pelourinho e casa da antiga câmara da vila de Aljubarrota. Gravura recolhida na obra de CHAGAS, Manuel Pinheiro – História de Portugal, Popular e Illustrada. Lisbooa: Empreza da História de Portugal. Vol II – 1904, p. 117.

 

A publicação de documentos relativos às dinâmicas económicas e sociais no território da antiga Estremadura, reveste-se de importância manifesta para a compreensão da sua própria história identitária. Com este contrato que aqui publicamos, damos mais um passo para reconhecer a importância deste território na economia local e regional.

 

 

APÊNDICE DOCUMENTAL

DOCUMENTO 1

1699, junho, 14, Évora de Alcobaça – Registo de casamento de Manuel Francisco Ledo com Maria Luís.

Arquivo Distrital de Leiria, Livro de Batismos de Évora de Alcobaça [1661-1771], Dep. IV/25/C/19, assento n.º 2, fl. 61v.

< Manoel Francisco Ledo e Maria Luiz >

Em os quatorze do mez de junho de seiscentos e noventa e nove annos se cazarão por palavras de prezente por marido, e mulher em minha prezença e das testemunhas abaixo assinadas na forma do Sagrado Concilio Tridentino e Constituição deste Arcebispado pellas tres horas da tarde pouco mais ou menos Manoel Francisco Ledo filho de Manoel Francisco Malaya e de sua mulher Izabel Leda, e Maria Luiz filha de Mathias Marquez e de sua mulher Joanna Luiz defunctos e moradores que forão no Cazal do Barrão, ambos desta freguesia, e nella baptizados; e por verdade fis este assento que assiney.

(a) O Vigário Encomendado António Luiz Coelho

(a) Manoel Jorge Coelho

(a) Domingos da Guerra

 

Figura 2. Vista panorâmica de Leiria. Postal ilustrado do início do século XX.

 

DOCUMENTO 2

1747, julho, 9, Alcobaça – Escritura de arrendamento da celeiraria do termo da cidade de Leiria pertencente à renda da massa da vila de Aljubarrota pela quantia anual de 156.000 réis.

Arquivo Distrital de Leiria, Cartório Notarial de Alcobaça, Livro de Notas [1747-1748], do notário António Xavier da Cruz, Dep. V/2/D/2, fls. 73v-74v.

Arrendamentto do Seleiria da Sidade de Leiria pertencente a renda da villa de Aljubarrota.

Em nome de Deos Amem. Saybam quantos este publico instromento de escriptura de arrendamento ou como em Direito milhor dizer se possa viem que no anno do Nassimento de Nosso Senhor Jezus Christo de mil e setecentos e quarenta e sete annos aos nove dias do mes de julho do dito anno nesta villa de Alcobaça e cartório de mim Tabaliam estando ahy prezente Manoel Francisco Ledo morador na villa de Evora, Rendeiro da Massa da villa de Aljubarrota e bem asim estava prezente Manoel Rodrigues Monteiro pessoas conhesidas de mim Tabaliam e das testemunhas ao diante nomeadas e asignadas perante as quais e de mim Tabaliam foy dito pello dito Manoel Rodrigues Monteiro que elle tomava como defeitto tomado tinha de arrendamento da mam do dito Manoel Francisco Ledo, Rendeiro da Masa da villa de Aljubarrota por tempo de tres annos, tres novidades compridas e acabadas a Selareiria do termo da sidade de Leiria pertencente a renda da Massa da villa de Aljubarrota como sempre foy // [fl. 74] Foy uzo e costume andar arrendada em preso [sic] em cada hum anno de sento e sincoenta e seis mil reis pagos aos quarteis a saber: Hum pella Pascoa e outtro pellas vertudes de cada hum anno o qual arrendamento teve seo prinsipio por dia de S. João Bauptista deste prezente anno de mil e setecentos e quarenta e sete e hade acabar por outro tal dia de S. João Bauptista do anno que embora hade vir de mil e setesentos e quarenta e nove e com obrigasam de vir fazer o dito pagamento na villa de Evora na mam do dito Rendeiro da dita villa de Aljubarrota de todos os ditos sento e sincoenta e seis mil reis e livres de tudo e qualquer tributto prezente e feturo siza ou decima e que tudo sera por comta delle dito Rendeiro Manoel Rodriguez Monteiro e tudo na forma que sempre foy uzo e costume andar arrendada a dita Selareiria e pello dito Manoel Rodriguez Monteiro foy ditto que elle aseitava de arrendamento a ditta renda da villa de Aljubarrota e se obrigava a comprir e guardar em tudo esta escriptura e que havendo alguma duvida ou demanda sobre este arrendamento se obrigava a responder perante o Executor desta villa, Executor das rendas e dividas pertencentes ao Real Mosteiro por cujos os mandados, ordens, sentenças queria elle dito Rendeiro ou seos erdeiros foçem penhorados via executiva e da cadeia na forma que se cobram as dividas da Fazenda Real e que sendo nesesario alguma sitaçam para o comprimento desta escriptura quer ele contente he fasa na pesoa do Porcurador do Conselho e por seus mandados, ordens e seu digo do Conselho desta villa o qual forem seu Porcurador e revogável e que pella sitaçam asim feita queriam ser executados em todos os seus bens na executória e da cadeia asim como se cobram as dividas da Fazenda Real e que nam queria ser ouvidos em Juizo e nem fora delle sem primeiro depozitar tudo o que estiver devendo deste arrendamento tudo em // [fl. 74v] Tudo em mam do dito Rendeiro Manoel Francisco que para tudo receber o havia por abonado a qual soma lhe depozitaria pedira elle dito Rendeiro a mim Tabaliam aqui o escreveçe a seu rogo e fis e queira que tivesse forsa e vigor e que nos ditos Juizes responderão e que dos mais se ditasem de Juis e Juizes e de seu foro e domesilio e de nada queriam gozar senão tudo comprir e goarda e que havendo execuçam em seos bens pagariam a pessoa que nella andar a duzentos reis por dia do dia da sitaçam athé emteira satisfasam e a cujo o comprimento obrigara suas pessoas e todos seus beins havidos e por haver // E logo pareseo ahy prezente Manoel Rodrigues morador em Alcanada termo da sidade de Leira e por elle foy ditto que elle foy que elle ficava por fiador e prinsipal pagador dos ditto Rendeiro de toda a emportançia deste arrendamento e que não tendo a dita o que o dito senhorio cobre delle fiador e prinsipal pagador toda a dita emportançia deste arrendamento para o que obriga sua pesoa e todos os seus beins havidos e por haver e em feé e testemunho de verdade asim o louvaram e otrogaram e mandaram fazer este publico instromento e delle dar hum e todos tresllados ao dito Manoel Francisco Ledo eu Tabaliam aseito em nome dos auzentes. Testemunhas prezentes João da Costa Matozo e Manoel João todos desta villa que todos aqui asignaram depois delle ser lido a se outorgou eu António Xavier da Cruz Tabaliam que o escrevi.

(a) Manoel Rodrigues Monteiro

(a) Manoel Rodriguez

(a) João da Costa Matoso

(a) De Manoel + João, Testemunha

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