Miguel Portela* : Nótula histórica sobre Bento Buxo Sarramim: mestre papeleiro do engenho do papel de Figueiró dos Vinhos no século XVII

Figura 1 – Engenho do Papel de Francisco Dufour e seu filho Pedro Dufour.

*Investigador

Figueiró dos Vinhos conheceu e praticou o fabrico de papel no século XVII. As Reais Ferrarias da Foz de Alge e Machuca motivaram a vinda de um grande número de estrangeiros, que, ao serem recrutados para nelas trabalharem, empregaram o seu saber e as suas técnicas nessa produção. Figueiró dos Vinhos vê despontar um conjunto de pequenas indústrias, através da ação particular de Francisco Dufour, que assinalam uma nova era no panorama industrial da região e de Portugal (PORTELA, Miguel, A indústria papeleira na região de Leiria no Portugal oitocentista, Cadernos de Estudos Leirienses- 3, Editor: Carlos Fernandes, Textiverso, 2014, pp. 181-200; PORTELA, Miguel, “Houve ou não fabrico de papel na Batalha no século XVI? Notas sobre o fabrico de papel no Distrito de Leiria”, Boletim Semestral da Comunidade Concelhia da Batalha, Edição n.º 2, Batalha, 2014, pp. 17-18).

Sabemos que a 17 de junho de 1663 foi passado um alvará a Francisco Dufour para que ele conseguisse «fazer a sua custa hums engenhos de agoas para benefisiar aso folhas despada e todas as armas e orsadeiras e huma ofesina pera fazer toda a sorte de papel» por um período de seis anos. Porém, o fabrico de papel já se fazia em Figueiró dos Vinhos, mais especificamente no lugar de Água d’Alta, pelas mãos de João Silveiro, sem, no entanto, ser conhecido até à presente data qualquer alvará ou licença outorgados para o efeito (PORTELA, Miguel, O Fabrico de Papel em Figueiró dos Vinhos no séc. XVII, Edição de Autor, Figueiró dos Vinhos, 2012).

Reconhecemos que o fabrico de papel neste território foi conseguido às custas do investimento privado dos seus Superintendentes, sobretudo de Francisco Dufour e de seu filho Pedro Dufour, que, além de contratarem mestres franceses, recrutaram certas famílias da região, nas proximidades de Figueiró dos Vinhos, que já produziam papel neste território.

Nesse sentido, confirmamos que a 7 de agosto de 1670, no Engenho do Papel, foi lavrada uma escritura de obrigação entre os filhos de Pedro Curado – Pedro Curado e António Curado, residentes na Ponte de S. Simão -, e Pedro Dufour, Superintendente das Ferrarias de Figueiró.

Nesse documento contratual recolhemos alguns dados assertivos sobre a produção de papel nesta região pela família Curado. Citamos um excerto dessa escritura que é revelador do que vimos expondo: «foi dito ao dito Pedro Dufour que elle [Pedro Curado] avia quatro annos que asistia no engenho do papel e tinha ja eiperiensia da forma em que se obrava o dito papel e por quanto não fora obriguado ao dito emgenho elle se obriguava de prezente como de feito logo se obregou e seu irmão Antonio de oje em diante ambos asistirem no dito emgenho por tempo de dous annos que comesaram a correr de oje em diante trabalharem ambos nelle e fazer todo o serviso pertensente a fabriquo do papel» (PORTELA, Miguel, “Os Curados e o fabrico de Papel em Figueiró dos Vinhos no século XVII”, Jornal da Golpilheira, Diretor: Luís Miguel Ferraz, Ano XIX, Edição n.º 215, maio de 2015, p. 17). Obrigavam-se os irmãos Curado a «fazer todo o serviso pertensente a fabriquo do papel e se sugeitarem a fazer toudo o que pello mestre do papel que he Sarramim lhe for mandado e elle Pedro Dufour com tal obriguasam de que em quoanto asistirem assistirem ambos no dito emgenho de fiquarem livres do serviso da guerra e de gozarem os prevelegios comsentidos por Sua Magestade as pessoas obriguadas ao dito emgenho na forma do alvara de Sua Magestade» (Arquivo Histórico do Ministério de Obras Públicas, Superintendência das Ferrarias de Tomar e Figueiró – Registo de Correspondência Recebida [A.H.M.O.P., S.F.T.F.-R.C.R.], 1655-1761, fls. 168v-169v).

Exatamente nesta escritura de obrigação, identificámos “Sarramim, «franses mestre do papel»” que exercia nesta época o ofício de papeleiro neste Engenho do Papel. Porém, numa outra escritura lavrada em Figueiró, a 22 de dezembro de 1671, entre Baltazar Nunes e Pedro Dufour, compreendemos que foi concretizado um contrato em que se obrigava João Nunes, filho do dito Baltazar Nunes, a assistir no dito Engenho do Papel e a aprender nele «o ofisio de papeleiro com o mestre que nelle tem por nome Bento Buxo Serramim franses de nasão» (Doc. 2). Este mestre papeleiro francês terá sido contratado aquando do recrutamento de outros mestres por Pedro Dufour para trabalharem nas Reais Ferrarias de Figueiró (PORTELA, Miguel, “Mestres Franceses nas Reais Ferrarias de Figueiró”, Jornal O Figueiroense, Edição compartilhada com O Ribeira de Pera, Diretor: Fernando C. Bernardo, II Série, n.º 12, 16 de julho de 2015, p. 9). Demonstramos assim a contratualização «por tempo de tres annos que comesaram a correr do primeiro de janeiro que vem de mil e seissentos e setenta e dous annos e ade acabar pera outro tal dia de seissentos e setenta e quatro annos com obriguasão do dito Pedro Dufour lhe dar ao dito seu filho de seu sustento mil e duzentos reis por cada mes somente e no fim dos ditos tres annos lhe dar hum vestido de saragosa da terra com sua capa e que o dito moso seu filho asestira sempre no dito emgenho do papel».

Devemos considerar e compreender os laços familiares da família Nunes e Curado: além de se familiarizar com os assuntos do fabrico de papel, Bento Buxo constitui família com uma filha do ramo dos Curados.

Cremos que Baltazar Nunes, morador na Telhada (Figueiró dos Vinhos), havia casado antes de 1660 com Isabel Fernandes, também natural desse dito lugar (Arquivo Distrital de Leiria [A.D.L.], Livro de Baptismos de Figueiró dos Vinhos [L.B.F.V.], Dep. IV 33-E-40, assento n.º 2, fl. 50). Isabel Fernandes faleceu a 19 de outubro de 1674 e foi sepultada na Igreja Matriz de Figueiró dos Vinhos, não tendo feito testamento (A.D.L., Livro de Defuntos de Figueiró dos Vinhos [L.D.F.V.], Dep. IV 33-E-40, assento n.º 12, fl. 245/155). Baltasar Nunes pereceu a 17 de junho de 1676, tendo sido enterrado nessa igreja também sem ter feito testamento (A.D.L., L.D.F.V., Dep. IV 33-E-40, assento n.º 4, fl. 247v/157v). Deste consórcio nasceram, entre outros, Maria, batizada a 26 de outubro de 1645 (A.D.L., L.B.F.V., Dep. IV 33-E-40, assento n.º 4, fl. 2); Tomé, batizado a 20 de dezembro de 1647 (Ibidem, assento n.º 12, fl. 6); Maria, batizada a 24 de fevereiro de 1650 (Ibidem, assento n.º 10, fl. 9v); João Nunes, batizado a 2 de julho de 1651 – o qual foi contratado para laborar no Engenho do Papel, como exposto anteriormente (Ibidem, assento n.º 1, fl. 12); Baltazar, batizado a 31 de janeiro de 1658 (Ibidem, assento n.º 4, fl. 37); António, batizado a 1 de abril de 1661 (Ibidem, assento n.º 6, fl. 54v) e Isabel, batizada a 22 de novembro de 1665 (Ibidem, assento n.º 11, fl. 63v).

Demonstramos, ainda, através de um inventário de património de Francisco de Magalhães desta vila de Figueiró lavrado a 1 de agosto de 1614 que Baltazar Nunes já se achava nessa data no lugar da Telhada, afiançando-se nesse documento que as irmãs de Francisco de Magalhães «davam he dotavam ao dito Francisco de Magalhais seu irmão os bens de raiz segintes ¶ semto he quatro alqueires de pam de foro hexemsam pera sempre nos moinhos da Telhada llemite desta villa que ao prezente possuem AntonioSimam he Baltazar Nunes e gramgeam os dittos hemgenhos e engenhos e posuem as propriedades deles lhe pagam o dito foro com ho dereito das propriedades a elle hobrigadas emgenhos he mães fazemda conteuda e nomeadas nos prazos feitos ao dito Antonio Simam e Balthazar Nunes» (Arquivo da Universidade de Coimbra, Processo de Ordenação Sacerdotal de Francisco de Magalhães, DIII-S1.ªE-E8-T3-N.º8, Caixa 492, fl. 1-5).

A família Nunes, por via de João Curado, filho de Baltazar Nunes, produziu papel sob as ordens de Sarramim, mestre papeleiro, com quem terá aprendido esse ofício. Ao mesmo tempo, reconhecemos a família Silveiro como fabricante de papel nesta região, provavelmente em época anterior à edificação do Engenho do Papel dos Dufour, conforme podemos comprovar através de uma obrigação que fez João Silveiro, filho de Simão Silveiro da Telhada, a Pedro Dufour, lavrada em Figueiró, a 16 de janeiro de 1668, onde se assentou, que «por elle [João Silveiro] foi dito ao dito Pedro Dufour que elle heram Senhor e pesuedor de hum engenho do papel que estava por baixo das casas em que seu pai vivia sito na dita Ribeyra [Água d’Alta]» (A.H.M.O.P., S.F.T.F.-R.C.R., 1655-1761, fl. 40-41).

Através de uma procuração pública estabelecida por Joana Dias a Simão Silveiro para se cuidarem das demandas contra Catarina Ribeira, viúva, lavrada em Figueiró dos Vinhos a 11 de novembro de 1617, demonstramos que Pero Silveiro, pai de Simão Silveiro, habitava já em Figueiró, nomeadamente no «luguar dos moinhos do Rapozeiro onde ele Pero Dias vive e seus aredores». Nesta referida data, «Simão Sillveiro seu filho do dito Pero Dias he morador na villa do Pedroguão Pequeno», tendo uma «tia Joanna Dias irmam do dito seu pai donna viuva molher que foi de Pero Lopes d’Aguda e moradora no prezente no luguar de Sanctos junto a villa de Zafra terras de Castella» (Doc. 1).

Identificámos Simão Silveiro, consorciado com Ana Luís e residente, no segundo quartel do século XVII, nos moinhos de seu pai. Desta união nasceram: Maria Silveira (A.D.L., L.B.F.V., Dep. IV-33-E-40, assento n.º 2, fl. 48v); Lourença Silveira (Ibidem, assento n.º 5, fl. 58v); Ana, batizada a 21 de dezembro de 1645 (Ibidem, assento n.º 12, fl. 2), tendo falecido a 21 de outubro de 1677 (Ibidem, assento n.º 1, fl. 250/160); João, batizado a 23 de abril de 1648 (Ibidem, assento n.º 1, fl. 8), tendo casado a 31 de dezembro de 1677, na Igreja Matriz de Figueiró dos Vinhos com Maria Fernandes, do lugar da Água d’Alta (A.D.L., Livro de Casamentos de Figueiró dos Vinhos, Dep. IV 33-E-40, assento n.º 1, fl. 190/98); e Isabel, que pereceu a 25 de março de 1647 (A.D.L., L.D.F.V., Dep. IV-33-E-40, assento n.º 49 fl. 85v).

A relevância desta família no contexto do fabrico de papel em Figueiró dos Vinhos é pertinente e do maior interesse, pois que se legitima o fabrico de papel através de João Silveiro, filho de Simão Silveiro, como referenciámos antes, mas também com o enlace de Lourença Silveira com Bento Buxo, mestre do Engenho do Papel de Pedro Dufour, e, assim, cunhado de Simão Silveiro. Este casamento foi celebrado a 5 de Novembro de 1671 na Igreja Matriz desta vila (A.D.L., L.C.F.V., Dep. IV-33-E-40, assento n.º 8, fl. 85). Desta união achámos Manuel, batizado a 21 de novembro de 1672 (A.D.L. L.B.F.V., Dep. IV-33-E-40, assento n.º 1, fl. 98/4).

Podemos concluir, assim, que a vinda de Bento Buxo, Sarramim, mestre papeleiro, acrescentou assinalável valor à produção de papel no Engenho de Pedro Dufour, assim como a união com a família Silveiro, que já dominava esta arte neste lugar. Figueiró dos Vinhos reconheceu nesta indústria um fator de desenvolvimento, o qual terá concorrido para o arranque do fabrico de papel na região circundante a esta vila no século XVIII e, particularmente, para que os pólos da Lousã, Espinhal e Góis conhecessem a época de ouro de toda a Indústria do Papel nos séculos seguintes.

 

Apêndice Documental

Documento 1

1617, novembro,11, Figueiró dos Vinhos – Procuração de Joana Dias a Simão Silveiro para se tratarem das demandas contra Catarina Ribeira viúva.

A.D.L., Livro Notarial de Figueiró dos Vinhos, Dep. V-54-C-7, fls. 12-12v. [fl. 12]

Soestabelesimento que fes Simão Sillveiro he seu pai e a Martim Lopes da procurasão que lhe fes sua tia Joanna Dias

Saibam quantos este pubrico estromento de soestabelecimemto e poder virem que no anno do nasimento de Noso Senhor Jesus Christo de mill e seisentos he dozete anos em os omze dias do mes de novembro do dito anno nesta villa de Figueiro dos Vinhos e no termo delle nos moinhos domde mora Pero Dias semdo hahi de prezente Simão Sillveiro seu filho do dito Pero Dias he morador na villa do Pedroguão Pequeno pesoa conhesida de mim tabalião pelo quall loguo hahi aprezentado hum pubrico estromento de bastante procurasão que tinha e lhe fizera sua tia Joanna Dias irmam do dito seu pai donna viuva molher que foi de Pero Lopes d’Aguda e moradora no prezente no luguar de Sanctos junto a villa de Zafra terras de Castella a quall lhe loguo tornei he della comstava que a dita sua tia lhe dava todos os poderes em direito comsedidos e vinha reconhesida por alguns tabalioins e por mim tabalião nesta villa por vertude da quall procurasão e poderes em elle conteudos dise elle Simão Sillveiro comstetuido que elle soestabelesia como de feito loguo soestabeleseu com todos os poderes desta procurasão asima nomeado por dito Pero Dias seu pai que presente estava asima dito e a Martim Lopes procurador do numero desta villa e nella morador estamdo em guerall e em espesiall pera que movão huma deman // [fl. 12v] da comtra Caterina Ribeira e seus filhos erdeiros de Lopo Leitão que Deos tem moradores nesta villa sobre lhe aver de tirar a fasemda que a ella sua tia pertemse no dito luguar dos moinhos do Rapozeiro onde ele Pero Dias vive e seus aredores comforme a folha que coube a ella Joanna Dias qual causa e todos os mais poderão em todo requerer su justisa como elle celase presente e forão as ditas demandas segire e entimarem ate morall toda e finall juizo demito que com todos os poderes desta dita procurasão ate as nomeada as fazia seus bastantes procuradores e soestabalesia quanto em direito podia e era nesesario o quall soestabalesimento dise que se obriguava comprirem juizo e fora delle he ao cumprimento delle obrigam os beins da constituimte e constetuido disemdo que todo o por elles feito diso e requerido fose firme e valiozo com o que elle e a dita sua tia forão prezentes a todo asi outorgaram nesta nota pera se trasladar nas costas da procurasão e justificasoins tere conhesimento onde asinam nesta nota as testemunhas que forão a tudo prezentes he aqui com elle asinarão Domingos João he seu filho Manoell Furtado he Manoell Alves filho de Pero Allves do Chavelho he foi outorguada na canada dele Pero Dias a Fonte d’Ereira sem embarguo de dizer que fazem os moinhos feito onde elle Pero Dias aseitou o dito soestabalesimento e eu tabalião aseitei em nome de Martim Lopes são prezentes quanto com direito devo e poso e todos asinarão e eu Francisco de Morais tabalião que o escrevi.

(a) Simão + Sillveiro constituinte

(a) De Pero + Dias

(a) De Manoell + Allves testemunha

(a) De Domingos + João testemunha

(a) Manoel Furtado

 

Documento 2

1671, dezembro, 22, Figueiró dos Vinhos – Escritura de contrato entre Baltazar Nunes e Pedro Dufour, sobre o facto de seu filho João assistir no Engenho do Papel.

A.H.M.O.P., S.F.T.F.-R.C.R., 1655-1761, fls. 52-52v. [fl. 52]

Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil seissentos e setenta e hum annos aos vinte e dous dias do mes de dezembro do dito anno nesta villa de Figuero dos Vinhos em pouzadas de mim escrivão aonde estava prezente Pedro Dufour Thenente General d’Artilharia Superintendente das ferrarias de Sua Alteza e da outra Balthezar Nunes morador na Telhada termo desta villa de Figueiró e pello dito Balthezar Nunes foi dito em prezensa de mim escrivão que estava consertado e tinha contratado com o dito Pedro Dufour de lhe dar a hum seu filho por nome Joam pera efeito de asistir no seu emgenho do papel que tem no limite desta villa d’aprender o ofisio de papeleiro com o mestre que nelle tem por nome Bento Buxo Serramim franses de nasão por tempo de tres annos que comesaram a correr do primeiro de janeiro que vem de mil e seissentos e setenta e dous annos e ade acabar pera outro tal dia de seissentos e setenta e quatro annos com obriguasão do dito Pedro Dufour lhe dar ao dito seu filho de seu sustento mil e duzentos reis por cada mes somente e no fim dos ditos tres annos lhe dar hum vestido de saragosa da terra com sua capa e que o dito moso seu filho asestira sempre no dito emgenho do papel e se obrigava por sua pessoa e bens ao dito seu filho não faltar no dito tempo e faltando de paguar todo o dito tempo que elle faltar com a obriguasam de gozar dos pervelegios que sua Alteza tem concedido as pessoas que asistem no dito engenho e pello dito Pedro Dufour foi // [fl. 52v] Dufour foi dito que na forma atras declarada tinha feito contrato com o dito Balthezar Nunes e se obriguava por sua pesoa e bens asim cumprir e guardar na forma atras declarada de que mandarão fazer este contrato que ambos asinarão. Thomas Correa escrivão das ferrarias o escrevi.

(a) Balthezar Nunes

(a) Pedro Dufour

 

 

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