Miguel Portela* – A Azulejaria em Portugal nos séculos XVII e XVIII – Novos dados sobre Miguel de Azevedo

 

*Investigador

Figura 1 – O Palácio da Ribeira antes da sua destruição a 1 de Novembro de 1755 (gravura Francesa de 1756). Biblioteca Nacional de Portugal – Cota CC-1710-a.

Breves notas de contextualização

Miguel de Azevedo era, até muito recentemente, um dos artistas portugueses sobre quem pouco se sabia e cuja atividade artística ainda permanecia pouco conhecida. Nesse sentido, tivemos a oportunidade de publicar um pequeno estudo onde expusemos alguns dados relevantes relativos a ele e à sua família.

Todavia, e uma vez que não nos tinha sido possível localizar o registo de seu óbito, procedemos a uma investigação que nos conduziu à data da execução do seu testamento, onde se documentava a abertura do mesmo, incluindo a indicação precisa do local onde o seu falecimento ocorreu. Assim, e tendo em conta a relevância da documentação agora encontrada, iremos seguidamente apresentar os novos dados sobre o mestre oleiro Miguel de Azevedo, assim como fazer uma pequena resenha sobre os aspetos já conhecidos.

 

O mestre oleiro Miguel de Azevedo

Miguel de Azevedo filho de Francisco Rodrigues e Maria Antunes foi batizado na paróquia de Santo Antão em Évora, em 15 de maio de 1653 (documento 2). Sabemos que foi irmão de Mónica, que foi batizada em 3 de setembro de 1651 (documento 1); de Mariana, batizada em 20 de janeiro de 1656 (documento 3) e de Manuel, que foi batizado em 14 de julho de 1658 (documento 4). Para além desses irmãos surge mencionada no testamento de Miguel de Azevedo, uma sua irmã de nome Jerónima Nobre (documento 7).

Verificamos que Miguel de Azevedo contraiu matrimónio em 3 de fevereiro de 1676, na paróquia de Santa Catarina, em Lisboa, com Benta Maria filha do oleiro João Francisco e de Cipriana Luís. Benta Maria era irmã do oleiro Manuel dos Santos, a qual na data em que casou contava apenas 14 anos (documento 5). Em 1677, Miguel de Azevedo surge como aprendiz na oficina de seu sogro (PORTELA, Miguel, “A Azulejaria em Portugal nos séculos XVII e XVIII: dados genealógicos dos mestres Manuel dos Santos e Miguel de Azevedo”, O Figueiroense, Edição compartilhada com O Ribeira de Pera, Diretor: Fernando C. Bernardo, II Série, N.º 36, 16 de julho de 2017, p. 9).

Entre vários registos paroquiais, encontrámos Miguel de Azevedo como oleiro, em 1 de agosto de 1677, enquanto testemunha no matrimónio de Manuel Ribeiro com Jerónima Avenes, surgindo nesse ato, também como testemunha, Matias Batista Lisboa (A.N.T.T. [A.D.L.], Livro de Casamentos da Paróquia de Santa Catarina [1672-1682], Livro C4, Caixa n.º 34, assento n.º 1, fl. 118). De igual modo, em 10 de janeiro de 1695, surge arrolado como oficial de oleiro, juntamente como o pintor Manuel Francisco enquanto testemunhas no casamento de António Gonçalves com Teresa Maria (A.N.T.T. [A.D.L.], Livro de Casamentos da Paróquia dos Anjos [1692-1719], Livro C3, Caixa n.º 24, assento n.º 2, fls. 46v-47).

Anos mais tarde, em 3 de maio de 1704, voltamos a ter notícia de Miguel de Azevedo, como morador ao Pé do Monte, na freguesia dos Anjos como testemunha no casamento de Manuel Ferreira com Maria da Costa (documento 6).

As nossas investigações permitiram alcançar o registo de óbito de Miguel de Azevedo, o qual veio a falecer em Lisboa, na freguesia dos Anjos, em 10 de novembro de 1711. Sua esposa Benta Maria veio a falecer em 31 de agosto de 1741, conforme havíamos já publicado num estudo recente sobre o referido mestre oleiro (documentos 8 e 9).

 

 

O testamento de Miguel de Azevedo

Sabemos que Miguel de Azevedo, morador às Olarias, mandou lavrar o seu testamento, conjuntamente com sua esposa, Benta Maria, em 30 de outubro de 1711 (documento 7). O seu testamento é rico em informações diversas, que nos permitem conhecer um pouco mais da sua vida, ligações familiares, entre outras coisas. Deixou expresso que, tanto ele como sua esposa, após os seus decessos fossem “a enterrar a Nossa Senhora de Jezus cuja Veneravel Ordem somos // [fl. 170] irmãos 3.os [Terceiros] e nos mesmos habitos hiremos amortalhados e se dará de esmolla por habito e acompanhamento per cada hum de nós sinco mil réis” e que fossem ditas “pela alma do que primeiro de nós que faleçer primeiro cem missas de corpo prezente e outras cem pelo ultimo que de nós ficar de esmolla de 140 réis cada huma ditas na Santa Caza da Mizericordia, Santo António, Nossa Senhora do Amparo, da Saúde e Nossa Senhora de Jezus”.

Importante referir a declaração que fez em relação a uma dívida de Manuel da Costa, tendo ficado arrolado o seguinte testemunho “Declaro eu Miguel de Azevedo que eu fiquei por fiador de Manoel da Costa que hoje se acha preso a minha ordem na Cadea do Tronco desta cidade por sincoenta e tantos mil réis de principal e custas de huma sentença que contra elle alcancei cuja quantia em todo o tempo meos herdeiros ou herdeiro ao diante declarado o cobrarão e pela parte que a mim Benta Maria me toca falecendo eu primeiro também a cobrará meus herdeiros ou herdeiro ao diante declarados”.

É igualmente relevante referenciar as ligações familiares existentes à data da execução deste testamento, onde ficou expressamente declarado “que deste matrimonio com que somos cazados não tivemos nem temos filhos nem herdeiros forçados ascendentes nem descendentes que nossos bens hajão de herdar portanto queremos e hé nossas ultimas vontades que depois de nossos legados cumpridos no cazo que eu Miguel de Azevedo faleça primeiro que a dita minha molher Ben // [fl. 170v] ta Maria a esta instituo per minha Universal Herdeira juntamente com minha sobrinha que está em minha companhia per nome Maria de S. Bento filha de minha irmam Hyeronima Nobre e o mesmo se entendeu no cazo que eu Benta Maria faleça primeiro que o dito meu marido Miguel de Azevedo ao que tambem instituo per me herdeiro juntamente com a dita Maria de S. Bento nossa sobrinha e isto se entenderá igualmente na partição digo na repartição da herança que embora poderão herdar digo poderão haver lograr cobrar e arrecadar todas as dividas direitos e acções que como taes herdeiros lhe pertenção por qualquer via que for e poderão por e dispor como melhor lhes parecer // Pedimos e rogamos ao Muito Reverendo Padre Fr. Miguel de Santo Antonio digo Fr. Manoel de Santo Antonio nosso irmão e cunhado queira por amor de Nossa Senhora ser nosso herdeiro ao qual pedimos deê cumprimento a este nosso testamento o qual fazemos de não comum”.

Neste testamento, não é feita nenhuma referência ao mestre oleiro Manuel dos Santos, irmão de Benta Maria, o qual era ainda vivo em 1723. Todavia, cremos que seja ele, entre outros, quem assina a aprovação desse testamento no mesmo dia em casa de Miguel de Azevedo, “mestre oleiro de louça branca”, onde compareceram como testemunhas para esse ato, “Manoel dos Santos oleiro de louça vermelha e Phelipe Neri e Antonio dos Santos e Antonio Antunes e Luis Gomes e Antonio de Araujo officiais delle Miguel de Azevedo e Vicente Mendiz official delle Manoel dos Santos”.

 

Em síntese

Os novos elementos que aqui apresentámos permitem conhecer com precisão a data do óbito de Miguel de Azevedo e os critérios das suas disposições testamentárias. A leitura destes registos veio documentar, ainda, vários nomes de oficiais – até agora desconhecidos – os quais trabalharam na oficina deste conceituado artista; esclarecendo de igual modo, que o mesmo passou a dispor de uma oficina própria em determinado período da sua vida, a qual manteve até ao seu falecimento.

 

APÊNDICE DOCUMENTAL

Documento 1

1651, setembro, 3, Évora [Santo Antão] – Registo de batismo de Mónica filha de Francisco Rodrigues e de Maria Antunes.

Arquivo Distrital de Évora, Livro de Batismos da Paróquia de Santo Antão [1648-1656], Livro 15, Caixa n.º 5, assento n.º 3, fl. 59. [fl. 59]

Aos tres dias de setembro de mil e seissentos e sincoenta e hum annos nesta Igreja de Santo Antam baptizei e pus os Sanctos Oleos a Monica filha de Francisco Rodriguez e de Maria Antunes. Forão padrinhos Manoel Dias madrinha a parteira Viencia Carvalha de fis este termo que asinei.

  • Alvaro Vieira

Documento 2

1653, maio, 15, Évora [Santo Antão] – Registo de batismo de Miguel de Azevedo filho de Francisco Rodrigues e de Maria Antunes.

 Arquivo Distrital de Évora, Livro de Batismos da Paróquia de Santo Antão [1648-1656], Livro 15, Caixa n.º 5, assento n.º 4, fl. 97. [fl. 97]

Aos d [sic] quinze dias do mes de mayo de mil e seiscenttos e sinquoentta e tres annos nesta Igressa de Santo Antão bauptizei e pus os Santos Olleos a Miguel filho de Francisco Rodriguez e de Maria Anttunes. Forão padrinhos Manoel Sardinha e a partteira Illenna Carvalha. E por verdade asinei dia ut supra.

  • O Licenciado Manoel Mendiz Delgado

Documento 3

1656, janeiro, 20, Évora [Santo Antão] – Registo de batismo de Mariana filha de Francisco Rodrigues e de Maria Antunes.

 Arquivo Distrital de Évora, Livro de Batismos da Paróquia de Santo Antão [1648-1656], Livro 15, Caixa n.º 5, assento n.º 4, fl. 150. [fl. 150]

Em os vinte dias do mes de janeiro de mil e seiscentos e sinquoenta e seis annos nesta freguesia de S. Antão baptizei e pus os Sanctos Oleos a Mariana filha de Francisco Rodrigues e de Maria Antunes. Forão padrinhos Bertholomeu Arrais (?) de Almeida e Mariana de Fonseca e parteira Vicencia Carvalha e por verdade fis e assinei.

  • Sebastião Faria

Documento 4

1658, julho, 14, Évora [Santo Antão] – Registo de batismo de Manuel filho de Francisco Rodrigues e de Maria Antunes.

 Arquivo Distrital de Évora, Livro de Batismos da Paróquia de Santo Antão [1656-1672], Livro 16, Caixa n.º 6, assento n.º 3, fl. 40. [fl. 40]

Em os quatorse dias do mes de julho de mil e seiscentos e sincoenta e oito bathizei e pus os Sanctos oleos a Manoel filho de Francisco Rodriguez e de Maria Antunes. Foi padrinho Diogo Rodriguez Morais (?) e madrinha Brites Pinheira e em testemunho de verdade fis este termo que assinei, dia, e era assima.

  • O Reitor João Velho

Documento 5

1676, fevereiro, 3, Lisboa [Santa Catarina] – Registo de casamento de Miguel de Azevedo, natural de Évora com Benta Maria, natural da freguesia de Santa Catarina em Lisboa.

A.N.T.T. [A.D.L.], Livro de Casamentos da Paróquia de Santa Catarina [1672-1684], Livro C4, Caixa n.º 34, assento n.º 1, fl. 77v. [fl. 77v] Fevereiro de 1676

˂ Miguel de Azevedo com Benta Maria ˃

Em tres de fevereiro de mil e seissentos settenta e seis corridos os banhos via ordinaria e em virtude de hum mandado do senhor Doutor João de Passos de Magalhaniis Provizor dos Cazamentos em que provou vir menos do seu natural recebi a porta desta Igreja pella manham por marido e molher na forma ordinaria a Miguel de Azevedo filho de Francisco Rodriguez e de sua molher Maria Antunes natural da cidade de Evora bautizado na freguezia de Santo Antão da ditta cidade com Benta Maria filha de João Francisco e de sua molher Sipriana Luis já defunta bautizada nesta freguezia, ambos os contrahentes meus freguezes. Testemunhas: Jozeph Rodriguez tanoeiro e morador no Bequo Grande desta freguezia e o Padre Francisco Xavier aqui morador e o Padre tizoureiro desta Igreja Manoel de Figueiredo e outras de que fis este asento que por verdade asinei no mesmo dia, com as dittas testemunhas.

  • O Padre Cura Manoel de Queiros
  • O Padre Francisco Xavier
  • Jozeph Rodriguez
  • O Padre Manoel Figueiredo

Documento 6

1704, maio, 3, Lisboa [Santos-o-Velho] – Registo de casamento de Manuel Ferreira com Maria da Costa, surgindo como uma das testemunhas desse ato, Miguel de Azevedo, morador ao Pé do Monte, na freguesia dos Anjos.

A.N.T.T. [A.D.L.], Livro de Casamentos da Paróquia de Santos-o-Velho [1696-1706], Livro C6, Caixa n.º 40, assento n.º 3, fls. 115-115v. [fl. 115]

˂ Manoel Ferreira, viuvo, com Maria da Costa ˃

Aos tres de mayo de mil e settecentos e quatro se receberão a porta desta Igreja Parochial de Santos em minha prezença por marido e mulher assym como manda a Santa Madre Igreja de Roma, Manoel Ferreira filho de Manoel Ferreira, e de Maria Carvalha, natural de Villa Cova de Coelheira, freiguezia de S. João Baptista, Bispado de // [fl. 115v] de Lamego, e viuvo de Catherina Marques de quem viuvou nesta cidade na freguezia do Salvador e morador na freiguezia de S. Mamede desta mesma cidade aonde se desobrigou a Quaresma passada; com Maria da Costa filha de Domingos Rodriguez e de sua molher Joanna da Costa natural do lugar da Louriceira freiguezia de Nossa Senhora da Conçepção deste Arcebispado, e moradora nesta freguezia de Sanctos, onde se desobrigou a Quaresma passada, guardada a forma do Concilio Tridentino e Constituição deste Arcebispado e forão testemunhas que prezente estiverão o Padre Thezoureiro desta Igreja Francisco Fernandez Sobreira, e Miguel de Azevedo morador ao Pé do Monte freiguezia dos Anjos desta cidade de que fiz este assento, dia, ut supra.

  • O Parocho Manoel Pinto de Faria
  • Miguel de Azevedo
  • Francisco Fernandez Sobreira

Documento 7

1711, outubro, 30, Lisboa – Testamento de Miguel de Azevedo e de sua esposa Benta Maria.

A.N.T.T., Registo Geral de Testamentos, Livro 130, fls. 169v-171v. [fl. 169v]

Testamento de Miguel de Azevedo e Benta Maria sua molher moradores as Olarias

Em nome da Santíssima Trindade Padre Filho Espirito Santo tres pessoas distinctas e hum Só Deos Verdadeiro em quem nós Miguel de Azevedo e Benta Maria marido e molher queremos bem e verdadeiramente em cuja feé esperamos salvar nossas almas // Primeiramente as encomendamos a Deos Nosso Senhor que as Criou e Redemio com o Seu preciozo Sangue e thomamos por nossa advogada a sempre Virgem Maria para que com a sua intercessão e de todos os Santos e Santas da corte do Ceo mereção as nossas almas hir gozar da Eterna Gloria para que forão criadas amem. Tanto que qualquer de nós falecer hirão nossos corpos a enterrar a Nossa Senhora de Jezus cuja Veneravel Ordem somos // [fl. 170] irmãos 3.os [Terceiros] e nos mesmos habitos hiremos amortalhados e se dará de esmolla por habito e acompanhamento per cada hum de nós sinco mil réis. // Acompanharnoshão os meninos orphanos a que se dará de esmolla per cada hum de nós dous mil e quinhentos réis com declaração que hande ther todos // Acompanharnoshão nossas Irmandade ás quaes se darão recado // Acompanharnoshão a cada hum dos Padres que nos acompanharem tres tostões e no cazo que este não queirão estar por esta esmolla nos acompanhará somente o Nosso Parocho do que lhe deixamos des tostões // Dirselhão pela alma do que primeiro de nós que faleçer primeiro cem missas de corpo prezente e outras cem pelo ultimo que de nós ficar de esmolla de 140 réis cada huma ditas na Santa Caza da Mizericordia, Santo António, Nossa Senhora do Amparo, da Saúde e Nossa Senhora de Jezus // Dirselhão maes pelas nossas almas de cada hum de nós outras cem missas o mais breve que puder ser ditas nas ditas partes e de esmolla de 120 réis cada huma // Dirsehão pelas almas dos paes de cada hum de nós 20 missas e da mesma esmolla e ditas nas ditas partes // Declaro eu Miguel de Azevedo que eu fiquei por fiador de Manoel da Costa que hoje se acha preso a minha ordem na Cadea do Tronco desta cidade por sincoenta e tantos mil réis de principal e custas de huma sentença que contra elle alcancei cuja quantia em todo o tempo meos herdeiros ou herdeiro ao diante declarado o cobrarão e pela parte que a mim Benta Maria me toca falecendo eu primeiro também a cobrará meus herdeiros ou herdeiro ao diante declarados // Declaramos que deste matrimonio com que somos cazados não tivemos nem temos filhos nem herdeiros forçados ascendentes nem descendentes que nossos bens hajão de herdar portanto queremos e hé nossas ultimas vontades que depois de nossos legados cumpridos no cazo que eu Miguel de Azevedo faleça primeiro que a dita minha molher Ben // [fl. 170v] ta Maria a esta instituo per minha Universal Herdeira juntamente com minha sobrinha que está em minha companhia per nome Maria de S. Bento filha de minha irmam Hyeronima Nobre e o mesmo se entendeu no cazo que eu Benta Maria faleça primeiro que o dito meu marido Miguel de Azevedo ao que tambem instituo per me herdeiro juntamente com a dita Maria de S. Bento nossa sobrinha e isto se entenderá igualmente na partição digo na repartição da herança que embora poderão herdar digo poderão haver lograr cobrar e arrecadar todas as dividas direitos e acções que como taes herdeiros lhe pertenção por qualquer via que for e poderão por e dispor como melhor lhes parecer // Pedimos e rogamos ao Muito Reverendo Padre Fr. Miguel de Santo Antonio digo Fr. Manoel de Santo Antonio nosso irmão e cunhado queira por amor de Nossa Senhora ser nosso herdeiro ao qual pedimos deê cumprimento a este nosso testamento o qual fazemos de não comum de que havemos aqui per acabado que rogamos e pedimos a Luís Dias Lobo Rendeiro (?) no Passo dos Tabaliaes que este por nos fizesse e comigo Benta Maria assignasse e a rogo de mim Miguel de Azevedo por estar tremullo da mão direita e não poder escrever o que sobredito fiz e asigney a rogo dos testadores em Lixboa 30 de outubro de 1711. A rogo dos testadores luis Dias Lobo // Benta Maria.

Aprovação

Saibão quantos este instromento de aprovação virem que no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de 1711 em 30 dias do mes de outubro na cidade de Lixboa nas Olarias nas cazas de morada de Miguel de Azevedo mestre oleiro de louça branca estando elle ahy prezente deitado em cama doente de doença que Deos foi servido darlhe juntamente com sua molher Benta Maria sentada a hum tamborete // [fl. 171] mas em seus prefeitos juízos e entendimento segundo parecer de mim tabaliam e das testemunhas abaixo nomeadas logo das suas mãos as mesmas cada hum delles per sy in solidum me foi dado o testamento asima e atras escrito e as perguntas que lhe fiz me respondeo cada hum que sim hera seu testamento de mão comum dito e aqui a seus rogos lhe escriturou Luis Dias Lobo nelle contheudo e que o asignara com ella Benta Maria e a rogo delle Miguel de Azevedo por estar tremullo da mão direita e não poder asignar e depois de escrito lho lera e por estar digo e por este revougou e anullão qualquer outro testamento que antes deste hajão feito e só este quer que valha como seu bem e verdadeiro testamento, cedulla ou codicillo que mays em direito me seja e por este ser suas ultimas vontades a que forão testemunhas prezentes chamadas e rogadas por parte delles testadores Manoel dos Santos oleiro de louça vermelha e Phelipe Neri e Antonio dos Santos e Antonio Antunes e Luis Gomes e Antonio de Araujo officiais delle Miguel de Azevedo e Vicente Mendiz official delle Manoel dos Santos que dicerão serem elles testadores os proprios aqui contheudos que neste instromento asignou ella testadores e por elle seu marido estar tremullo da mão direita asignou a seu rogo o dito Luís Dias Lobo que eu Fernando Jaques Tabaliam de Nottas por Sua Magestade na Cidade de Lixboa que o fiz e o asigney em publico // Lugar do signal publico // A rogo dos testadores Luis Dias Lobo // Benta Maria // Phelippe Neri // Luis Gomes // Antonio dos Santos // Antonio de Araujo // Manoel dos Santos // De Vicente Mendiz tem huma Crus // De Antonio Antunes tem huma Crus.

Abertura

Certifico o Parrocho da Igreja dos Anjos desta cidade que por me ser apresentado este testamento com que faleceo Miguel de Azevedo morador na Calçada do Monte meu fregues o abry para // [fl. 171v] ver o que dispõem acerca do seu enterro e bens de sua alma e o achey escrito em 3 meias folhas de papel em que entra a aprovação e testemunhas como apresentou serrado cozido e lacrado sem borrão nem entrelinha ou couza que duvida faça o que juro in verbo sacerdotis. Lixboa 20 de novembro de 1711 o Padre Diogo Mexia Godins Parrocho da Igreja dos Anjos // E não dezia mays o dito testamento aprovação e abertura delle o que me reporto que concertey com o proprio e com o escrivão abaixo asignado e me foi aprezentado por Jozeph da Costa Henriques que o tornou a receber e asignou comigo escrivam em Lixboa 24 de março de 1712 // E eu Carlos Antonio escrivam do Registo dos Testamentos desta cidade de Lixboa e seu termo por Sua Magestade que Deos Guarde o escrevi.

Concertado por mim escrivam

  • Carlos Antonio
  • Jozeph da Costa Henriques

E comigo atras (?)

  • João Viegas de Brito

Documento 8

1711, novembro, 10, Lisboa [Anjos] – Registo de óbito de Miguel de Azevedo.

A.N.T.T. [A.D.L.], Livro de Óbitos da Paróquia dos Anjos [1687-1716], Livro O2, Caixa n.º 36, assento n.º 2, fl. 223v. [fl. 223v]

˂ Miguel de Azevedo ˃

Aos dez de novembro de mil e settecentos, e onze faleceo na Calsada do Monte, Miguel de Azevedo, oleyro, casado com Benta Maria. Recebeo os Sacramentos e foi sepultado no Convento de Nossa Senhora de Jesus. Fes testamento, e nomeo por testamenteira a dita sua molher.

  • O Cura Diogo Mexia Godins

Documento 9

1741, agosto, 31, Lisboa [Santa Catarina] – Registo de óbito de Benta Maria, viúva de Miguel de Azevedo.

 A.N.T.T. [A.D.L.], Livro de Óbitos da Paróquia de Santa Catarina [1721-1749], Livro O1, Caixa n.º 54, assento n.º 3, fl. 47v.

[fl. 47v]

Em trinta e hum de agosto de mil setecentos e quarenta e hum faleceu com todos os Sacramentos em caza de Manoel Rodrigues na Rua do Valle de Jesus desta freguesia, Benta Maria, viuva de Miguel de Azevedo, e foi sepultada por pobre no Convento de Nossa Senhora de Jesus desta freguezia pela Ordem Terceira. Sem testamento.

  • O Padre Cura Antonio da Crus e Abreu

 

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