MALHOA NASCEU HÁ 160 ANOS Colóquio evocativo dos 75 anos do Museu José Malhoa e 160 anos do nascimento do seu Patrono

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No passado dia 26 de Abril, realizou-se no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, um colóquio evocativo de duas efemérides: 75 anos da instalação definitiva do Museu José Malhoa e 160 anos do nascimento do seu Patrono, que se completaram no dia 28 do mesmo mês.

O programa, que contou com um apontamento musical, teve lugar numa das salas do museu, que recentemente beneficiou de obras de restauro e conservação. O imponente quadro, O Último interrogatório doMarquês de Pombal, bem como um antigo tecto da casa Lambertini, entre outras obras, preenchem a presença do pintor nessa sala, conferindo-lhe a luminosidade e alma artística de José Malhoa.

A apresentação do evento esteve a cargo do Director daquele museu, Dr. Carlos Coutinho e entre os conferencistas, a Dr.ª Conceição Colaço, que analisou a obra pictórica, A Rainha D. Leonor (1926), uma oferta do pintor José Malhoa ao Povo das Caldas; O Engº Miguel Portela apresentou o tema: José Malhoa e Cruz Magalhães em Outubro de 1913 na Vila de Figueiró dos Vinhos e a Dr.ª Margarida Herdade Lucas, Um Jovem pintor Moderno: José Malhoa. O painel encerrou com a comunicação do Dr. Rui Calisto: Malhoa Inédito: Genealogia. Centro de Documentação e Documentação inédita e esparsa.

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O pintor José Malhoa (1855 – 1933) continua a ser um nome incontornável da pintura portuguesa, da viragem do séc. XIX para o séc. XX. Natural das caldas da Rainha, viria a adoptar a vila de Figueiró dos Vinhos, e a sua região envolvente, como a sua residência de eleição, onde se demorava muitos meses por ano e onde colhia temas, modelos e as várias nuances do espaço e da natureza para produzir a grande maioria dos seus quadros. Aí construiu uma casa, a que chamava “O Casulo”, devidamente orientada para uma linha de paisagem de características singulares e muito inspiradoras de uma obra artística luminosa.

Na comunicação do Eng.º Miguel Portela ressaltou a importância que o pintor dava aos amigos que o estimavam deveras, como neste caso, em que o então poeta republicano Artur Cruz Magalhães o visitou em Figueiró dos Vinhos e onde permaneceu alguns dias, também com objectivo de lhe colocar à consideração a prova tipográfica de uma brochura da sua autoria e dedicada ao pintor em 1913, intitulada Pro Arte.

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Neste caso particular, e possuindo o conferencista três exemplares da referida obra, – a prova tipografia autografada pelo referido poeta e dois exemplares autografados pelo pintor José Malhoa com dedicatórias ao Dr. Manuel de Vasconcelos e a seu irmão António de Vasconcelos -, doou-os nessa data ao Povo das Caldas, por protocolo, ficando em depósito no Museu José Malhoa, onde poderão, no futuro, ser consultados.

Para que se compreenda a personalidade artística do pintor José Malhoa e se conheça o seu espírito arrojado, necessário é que se constate o seu percurso. Tendo decidido muito cedo, que seguiria um estilo próprio, dele nunca se desviou, contra ventos e marés. Está representado em muitos museus nacionais e estrangeiros, onde a grande maioria dos seus quadros fixou o povo, a terra, as cores e a geografia da região de Figueiró dos Vinhos.

Margarida Herdade Lucas

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