Itinerários turísticos de Pedrógão Grande: ESTRADA PANORÂMICA AO RIO ZÊZERE (1). O TROÇO ABERTO ENTRE O MINGACHO E A BOUÇÃ

 

No âmbito dos nossos habituais passeios de divulgação da região do Cabril e Vale do Zêzere é com agrado que aqui damos conta de uma viagem em veículo todo-o-terreno (TT) entre a encosta do Mingacho (na Foz da Ribeira de Pera) e a Barragem da Bouçã, ao longo da Grande Rota do Zêzere (GR33), que acompanha de perto a refrescante Albufeira da Bouçã.

Partimos de TT para termos hipóteses de chegar ao fim. Conseguimos chegar, mas com alguma dificuldade pelo facto de cerca de 1.600 metros lineares de estrada não terem condições para o efeito, pois o jeep bateu algumas vezes por baixo nesse novo troço aberto ao fundo da aldeia do Romão. Chegámos ao fim e contabilizámos 20 Km de estrada panorâmica (construídos no período de mandatos autárquicos presididos pelo primeiro dos signatários deste texto).

Ao longo do percurso fomos contemplando o que de mais significativo nos apareceu pelo caminho: 1) – uma cascata provocada pelo Ribeiro do Mourisco ao desaguar na albufeira do lado da Sertã; 2) – o curso da Ribeira dos Nunes que passa por debaixo da GR33; 3) – o carregador da areia, local onde antigamente – antes da construção da Barragem da Bouçã – era depositada a areia proveniente do Rio Zêzere, para posterior transporte em caldeiros ou gamelas à cabeça, e seguindo-se-lhe a sua retirada do local por meio de carros de bois para aplicação em obras de construção civil; 4) – a Ribeira do Nodel, que igualmente passa por baixo da GR33; 5) – um espaço intermodal, como vasto largo propício ao lazer, com uma casa abrigo, mesas, uma churrasqueira e alguns painéis informativos; 6) – uma pequena cascata provocada pelas vertentes das encostas do Vale da Atalaia.

Mais à frente avistámos o dique da Barragem da Bouça. Ao querermos avançar, no nosso trajecto ao longo dessa estrada marginal ao Zêzere, acabámos por ter que recuar alguns metros pelo facto da via se nos deparar intransitável devido ao crescimento de árvores invasoras (sobretudo acácias).

Retomámos o nosso caminho, mas fomos forçados a andar mais uns 3 Km até atingir a estrada municipal que liga a Bouçã às Atalaias, perdendo de todo o desejável contacto visual com as águas da albufeira da Bouçã. Ou seja, no final do percurso Mingacho-Barragem da Bouçã, a Grande Rota do Zêzere (GR33) foi desviada do curso natural que turisticamente se impunha propiciar a quem visita o nosso concelho e o belíssimo Vale do Zêzere.

Ainda que desagrados com isso, antes de retomarmos a nossa marcha de regresso a Pedrógão Grande pela estrada municipal, invertemos o percurso e falámos com o guarda do portão principal de acesso ao dique da barragem. A informação que obtivemos foi a de que a estrada panorâmica havia sido cortada pela EDP devido à colocação do respectivo portão, assim se tendo posto fim ao anterior percurso, mais propício para os desejáveis fins turísticos que levaram a conceber a Grande Rota do Zêzere (GR33).

Depois da respectiva viagem panorâmica, que pelo cenário usufruído nos maravilhou, desejamos propôr o seguinte:

1º – Que os recentes 1.600 metros lineares (abertos ao fundo Romão) sejam de imediato corrigidos de modo a ficarem iguais aos restantes (com a mesma largura da via), tendo em vista que a Grande Rota do Zêzere (GR33) melhor possa ser percorrida por viaturas ligeiras e em maior segurança;

2º – Que no local onde fizemos marcha-atrás (já próximo do dique da Barragem da Bouçã) seja efectuado um novo traçado (fora ou dentro do domínio da EDP), de forma a que a estrada panorâmica termine próxima do portão de acesso ao dique, o que encurtaria o percurso cerca de 2,5 Km. Esta proposta justifica-se tanto mais quanto, nos 3 Km que percorremos (em excesso), nada existe de relevante, apenas buracos e poças de água na época de Inverno. Mais parece um castigo a quem quis passar um belo dia desfrutando dos encantos da água e da natureza…

3º – Que, em complemento do que hoje já existe, seja efectuado um acesso pedonal a partir da GR33, ligando definitivamente esta Grande Rota ao sítio do Calhau Furado (no topo da encosta da Pena – Mingacho), como maravilhoso miradouro que se apresenta sobre a Foz da Ribeira de Pera e o extenso canyon do Cabril.

Tendo-nos sido prometida a limpeza dos caminhos florestais que passam na proximidade desse geo-monumento, e porque estamos em ano de eleições, acreditamos nesse benefício e na palavra dos actuais autarcas. E bem ainda porque, se o percurso é lindo, Pedrógão Grande tudo merece…

Mário Coelho Fernandes

Aires B. Henriques

 

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