Figueiró dos Vinhos – Plano Estratégico Municipal para combate à vespa velutina

A Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos apresentou no passado sábado, 15 de fevereiro, numa sessão de esclarecimento sobre o combate à vespa velutina que decorreu no auditório do Centro Investe, o Plano Estratégico Municipal para combate à vespa asiática.

Realce para a grande presença de público, que esgotou o auditório, bem sintomático do interesse que o tema tem para apicultores e população em geral.

De acordo com o Coordenador Municipal de Protecção Civil, Miguel Guimarães, o plano assenta em três pilares: a sensibilização da população, a eliminação dos ninhos, e a rede de armadilhas.
A Vespa velutina nigrithorax, mais conhecida por vespa asiática, chegou à Europa há cerca de 15 anos e tem vindo a proliferar intensamente, com um número de avistamentos a aumentar, também, de forma considerável. Sendo uma espécie não-indígena e predadora da abelha europeia (Apis mellifera), tão importante para o equilíbrio do ecossistema, torna-se imperativo um maior conhecimento dos comportamentos desta espécie e a adoção de procedimentos preventivos e de combate à sua reprodução.

Esta praga teve o primeiro avistamento no nosso país em 2012, em Viana do Castelo, e hoje está disseminada um pouco por todo o território, tendo sido já avistados ninhos na zona do Alentejo.
De acordo com Miguel Guimarães, em Figueiró dos Vinhos só há registos de destruição de ninhos desde Setembro de 2018 e por isso não há ainda possibilidade de comparar dados. Nesse ano houve 80 ninhos destruídos e em 2019 houve registo de 214, mas ainda não é possível construir um padrão.

Para este ano a prioridade máxima é facultar armadilhas aos apicultores, para que estes as possam replicar, para depois se fazer a monitorização juntamente com a Associação de Modelismo de Portugal (AMP) com quem a autarquia estabeleceu uma parceria.

No entender de Carlos Filipe, presidente da AMP esta é a altura ideal para começar a prevenir um problema que nos últimos anos foi negligenciado, com a utilização de técnicas desajustadas da realidade. Tudo em conjunto provocou a proliferação da espécie por quase todo território nacional, notou ainda Carlos Filipe, acrescentando que “neste momento a troca e partilha de informações já é muito grande entre municípios e já estamos a arrepiar caminho”. Porque hoje em dia já existe mais conhecimento científico sobre esta matéria, Carlos Filipe aconselha a que se abandonem as técnicas usadas até aqui. A metodologia utilizada pela AMP começou a ser estudada em 2017 e passa “pelo tratamento químico dos ninhos mas com a particularidade de ter que se entrar no sistema de alimentação da vespa. Só por contacto, os químicos não resultam nesta espécie pois, como se regem pelas feromonas, fogem de tudo o que tem repelente e tivemos que criar um atrativo que entre no sistema de alimentação”. Os resultados no último ano foram “fantásticos e sem reincidências” nas dezenas de milhar de ninhos intervencionados no país.

A sessão de esclarecimento do passado dia 15 irá ser replicada noutros locais de Figueiró, a fim de um maior esclarecimento sobre este problema.

Recorde-se que, no âmbito do programa de “Apoio para a destruição dos ninhos de Vespa Velutina – 2019”, promovido pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, através do Fundo Florestal Permanente, o Município de Figueiró dos Vinhos foi beneficiário de um apoio para a destruição de novos ninhos ao longo do ano de 2019.

 

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