EDITORIAL “O EURO É SUPERIOR ÀS ARMAS”

A Alemanha no Sec. XX desencadeou duas guerras no Continente Europeu para o colonizar.

Invadiu a França, a Bélgica, a Polónia, invadiu os Países da Europa Central, foiaté à Rússia, ao Norte de África, à ex -Jugoslávia. Em suma considerando-se os Alemães, através dos Arianos uma raça superior puseram em marcha uma acção para dominarem tudo e todos, mais precisamente a Europa e as rotas dos continentes Africano e da América para deixarem o velho continente sem matérias primas.

O que não conseguiram com as armas, estão agora a consegui-lo com o euro, duma forma pacífica, tratadista subjugando políticos, países o que está a conduzir áquilo que apelidamos de “colonização germânica”.

A Alemanha produz alta tecnologia e coloca-a nos Países emergentes (China, Paquistão, India e alguns Africanos).

Por sua vez, deu grande incremento a que a economia mundial se globalizasse.

Então as taxas alfandegárias foram abolidas e o ser humano compra a quem vende mais barato e vende quem compra mais caro.

Perante tal a Alemanha com um fluxo grande de exportações para os Países Emergentes, levou a que esses mesmos Países exportassem, para aqueles outros da Europa carentes de alta tecnologia.

Mas a Alemanha não se ficou por aqui, foi mais além ao ponto de ter investido em indústrias em tais Países Emergentes, que concorrem directamente com os Países do Sul da Europa.

Ora, estamos a abordar a mão de obra sem segurança social, de baixíssimos salários, sem férias, sem descanso semanal, sem contratação colectiva, sem assistência médica e medicamentosa, sem reforma ou pensão.

Perante isto, muitos dos Países da União Europeia confrontam-se com uma concorrência desleal, aliada a um expansionismo comercial donde emerge que a importação já é secundária. Melhor dizendo os Países Emergentes e mais notoriamente a China já não se limitam a exportar, vão mais além, através de casas comerciais, vendem diretamente ao público, o que exportam para as suas próprias lojas.

Ora, com preços extremamente mais baixos, com trabalhadores subservientes, com formação adquirida para o impacto expansionista tal levou e leva a que se tivesse criado um fluxo financeiro enorme de euros, a deslocarem-se da Europa para a China sem qualquer controlo.

E no que deu isto e continua a dar ?

Deu naquilo a que se apelida encerramento do tecido produtivo, das indústrias do Sul da Europa -, Portugal, Espanha, Itália e França.

Pois, estes Países deparam-se com custos de produção e contexto impossíveis de suportar. O valor pelo qual o bem transacionável é colocado à venda ao público, no seu espaço territorial, não tem concorrência.

Vejam, por exemplo, nas lojas dos Chineses o custo do vestuário, calçado, malas, utensílios de cozinha, copos, pratos, material eléctrico, candeeiros, etc.

Perante isto, a Alemanha cada vez é mais rica e os Países do Sul, cada vez estão mais pobres.

Mas, os Germânicos não se ficaram por aqui: Sabem como ninguém, que a maior riqueza dum País está no conhecimento, mais propriamente, na capacidade de trabalho, formação, imaginação e capacidade de investigação científica do ser humano. Na verdade, partindo deste princípio recrutam nos Países do Sul da Europa os mais aptos para lhes absorverem o conhecimento e após isso os colocarem nos Países Emergentes como quadros superiores nas indústrias que enquadram o investimento Alemão, fora da Alemanha.

Estamos, nos tempos que correm, perante uma ofensiva comercial da Alemanha, mais feroz que as ofensivas da I e da II guerras que os Germânicos desencadearam na Europa.

Porém, foram para além da mera ofensiva comercial e financeira. Pois, através das directivas da União Europeia impõem Orçamentos Gerais do Estado. Definem regras quanto ao déficit, impõem reformas no próprio Estado dos Países do Sul da Europa tudo em nome e suportável com empréstimos bancários ao nível da manutenção da crise, como que o “agiota” que vai emprestando dinheiro para quando o devedor não conseguir pagar, lhe ficar com o património.

Nesta “concorrência desleal” tem um papel preponderante o sistema financeiro (bancos) através do qual se movimentam muitos milhões de milhões cuja concentração passa ao lado do interesse dos Países que estão a ser escravizados e do próprio ser humano, que está a ser empurrado para a miséria.

Mas isto, até quando ?

Tal só vai durar, até que a consciência nacional de cada País submetido a este expansionismo colonizador acorde e diga “não” à Alemanha.

Quando tal surgir, vai aparecer uma nova crise, em cima da já existente, mas vai aparecer a libertação dum expansionismo Alemão, com duas vertentes. Uma que passa pela subjugação ao euro. A outra a subjugação é a que enquadra a concorrência desleal do investimento Alemão nos Países emergentes com o arruinar dos Países do Sul da Europa.

Isto não terá continuidade, por mais três anos. Até lá, vai acordar a consciência nacional duma nova geração que vai impôr taxas alfandegárias ou então, contrapartida paritária relativa à importação/exportação, em função do número de habitantes de cada País.

Vou dar um exemplo. Se a China exporta para Portugal 1.000 euros de bens transacionáveis, terá que importar de Portugal, um milhão, atenta a diferença do número populacional.

A União Europeia não pode, nem deve consentir que os seus cidadãos, dos Países do Sul, estejam a ser empurrados para a miséria, enquanto a Alemanha obtém lucro fácil, quer através do que a Europa importa e ela própria Alemanha exporta.

Há pois, que fazer acordar a consciência nacional e se tiver que surgir uma crise, em cima da que está implantada que surja, caso essa seja a via para a libertação.

Os Países do Sul da Europa entraram naquilo que apelidamos de crise fiscal (falta de liquidez monetária do Estado) para o endividamento do próprio Estado.

A sua subsistência passou a viver do endividamento e nessa medida está dependente da ganância dos credores. E esse estado de necessidade tem implicações directas na soberania e impõe restrições quer à liberdade, quer a direitos que o próprio Estado está obrigado a cumprir. Os direitos e garantias constitucionais deixaram de existir.

Perante isto qual a política da UE?

Os Países passaram a exercer a sua governação, no saque de impostos em relação ao povo, deixando que “os mercados” imponham directivas/regras que garantam os seus créditos, não olhando a meios e nessa medida, surgem as reduções de salários, reformas, pensões porque o valor dos impostos já se tornou insuficiente.

Enfim, alguém sem rosto que se apelida de “mercados” com uma força financeira à qual não se opõe resistência, impõem regras aos governos, tendentes a sacrificar os povos para assegurarem os seus créditos.

A Humanidade está a viver aquilo que vai marcar na história uma nova “era” enquadrada na sequência do feudalismo, absolutismo, liberalismo, socialismo, socialismo democrático, capitalismo, que definimos (alguém sem rosto e personalidade) denominado por “mercados” retira à democracia a vontade popular que se expressa pelo voto, enquadrando-a num “estado de necessidade” que subverte a democracia, corrompe políticos e manda, “sem dar a cara”. Não se sabe quem é o credor ! Mas a existência do débito impõe regras.

O seu poder, entenda-se obscuro mas com uma força inesgotável, só poderá ser posto em crise através duma guerra à escala mundial. Se isso não ocorrer, a humanidade vai viver uma nova fase de feudalismo e escravatura que eventualmente se apelidará por – a ditadura dos mercados -. Ou melhor, será a “era” dos mercados definirem as regras ao poder político, passando o ser humano a constituir um mero dado estatístico e pouco mais. A par disso, a corrupção convive com os políticos, ao ponto de, serem eles quem põe em prática actos que servem e são do interesse dos mercados, sob pena de o Estado ou o País ser atirado para a fa-

Fernando Correia Bernardo

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