Cuidar em Humanitude

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Promovida pelo CLDS3G Viver Pedrógão, decorreu no dia 15 de Fevereiro, na Casa da Cultura de Pedrógão Grande uma sessão de informação sobre os cuidados em humanitude, com entrada livre e aberta à população em geral, mas mais centralizada nas pessoas que de alguma maneira são cuidadoras de pessoas dependentes.

Na mesa tomaram assento Idalina Pires, Mesária da Santa Casa de Misericórdia de Pedrógão Grande, que deu as boas-vindas aos participantes, e Carlos David Henriques, director clínico da UCCI de Pedrógão Grande, que resumidamente abordou a sua experiência com o conceito de Humanitude.

A apresentação do conceito esteve a cargo de dois elementos do IGM: Instituto Gineste-Marescotti Portugal: Afonso Pimentel, e Amélia Martins. O primeiro tem uma vasta experiência na implementação de negócios e gestão de projectos nacionais e internacionais, assumindo funções de gestão e coordenação do Instituto Gineste-Marescotti Portugal. Amélia Martins é licenciada em Serviço Social e Pós-graduação em Neuropsicologia Clínica, Doutoranda em Psicologia Cognitiva pela Universidade de Coimbra. É directora Técnica do Lar Santa Beatriz da Silva desde 2004 até 2013, tendo sido dinamizadora do primeiro Projecto sobre Snoezelen com Idosos financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Membro do ISNA-MSE International Snoezelen Association, da Associação Francesa de Snoezelen e da Associação Alemã de Snoezelen.

 

O que é a Humanitude?

A Humanitude é a filosofia de cuidados que sustenta a metodologia de cuidados, desenvolvida por Yves Gineste e Rosette Marescotti.

Humanitude é também o nome pelo qual este projecto social é conhecido pelo mundo. Advém das palavras “Humano” e “Atitude” e sugere que os cuidados de saúde são altamente especializados e que por isso devem ser profissionalizados tanto ao nível da intervenção técnica como ao nível da relação.  Por isso contém mais de 150 técnicas de cuidados e de relação que quando aplicadas obtém resultados muito importantes para o bem-estar das pessoas cuidadas e dos profissionais de saúde.

Os cuidados sempre se basearam em teorias e filosofias para se desenvolver e a Humanitude vem acrescentar uma forma de pensar e compreender os cuidados.  Aprofundando o conceito, a Humanitude filosoficamente defende que para o ser humano não basta nascer, é necessário que seja este seja colocado na espécie, no mundo das pessoas…

Para Jacquard (1989) “os Homens constroem-se uns aos outros, estimulando-se com oferendas e exigências, e as pessoas de hoje são fruto disso. Vivem em Humanitude, são parte dela, e por isso são pessoas”.
Boris Cyrulnik reflete no impacto biopsicosocial nefasto de não viver em Humanitude, com base em crianças que não foram estimuladas para ser como as pessoas. A estas crianças ele chama de pseudo-autistas, que se fecham em si mesmo e não procuram o outro (muitas vezes porque o outro não existe ou não as procura).

As pessoas não se mantêm na espécie de forma independente, somos por isso todos dependentes uns dos outros. A dependência pode ser então uma coisa muito boa: depende é de quem dependemos…
Nos cuidados existem armadilhas relacionais que facilmente bloqueiam, ou impedem a relação, o que leva inevitavelmente à perda da Humanitude e ao sofrimento desnecessário da pessoa cuidada e do cuidador.
A metodologia que está associada a esta filosofia profissionaliza a relação por forma a colocar, manter ou recolocar a pessoa em Humanitude. Por operacionalizar a relação consegue importantes ganhos em saúde demonstrados em vários artigos científicos internacionais. (www.humanitude.pt).

António B. Carreira

 

 

 

 

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