Comemorações do Dia do Concelho

Figueiró dos Vinhos comemorou o dia do Concelho, 24 de Junho, feriado municipal, com uma Sessão Solene da Assembleia Municipal.

P6240078Antes, porém, perante uma Praça do Município muito bem composta de público, assistiu-se ao Hastear da Bandeira, que contou com a presença da Filarmónica Figueiroense, Agrupamento de Escuteiros, GNR e Guarda de Honra pelos Bombeiros Voluntários de Figueiró dos Vinhos, seguindo-se uma actuação do Coro da Universidade Sénior de Figueiró dos Vinhos.

Carlos Silva, presidente da Assembleia Municipal abriu a Sessão com a leitura da convocatória, e deu a palavra  aos líderes de bancada dos partidos com lugar na Assembleia Municipal.

Intervieram Celeste Dias do CDS/PP, que deu uma perspectiva da actividade da Conferência Vicentina em Figueiró dos Vinhos, onde, segundo referiu, apoiam 102 famílias em variadas vertentes. Referindo-se à Conferência Vicentina referiu: “pertencemos a uma franja da sociedade que está ao serviço de todos a troco de nada.”

Fernando Manata, do PS, antigo líder do executivo camarário, lembrou os mais de oito séculos de história do concelho, iniciada em 1204 pelo foral P6240087de Pedro Afonso, para referir que “só por cegueira manifesta, esquecendo razões de ordem histórica, cultural e identidade vincada, alguém poderá sequer cogitar quanto à extinção de Concelhos em Portugal”, e recordou a necessidade de o poder central assegurar “politicas de coesão e desenvolvimento territorial equilibradas, “que contribuam para que tenhamos um País em que os cidadãos vejam os seus direitos cada vez mais reconhecidos, e não cada vez mais postergados, quer seja no campo da saúde, da educação e do bem estar social, fazendo crescer o País no seu todo, de forma equilibrada e harmoniosa”.

Finalizou dizendo “todos teremos de dar exemplos diários, lutando pelo que precisamos e nos faz falta, mas essencialmente pelo que temos, como direitos legitimamente adquiridos, e que alguns pensam poder subtrair-nos, certamente por sermos poucos, quando friamente olham o espectro eleitoral nacional.

Que se cuidem, porém, todos quantos assim pensam, pois que com a união dos órgãos autárquicos, na defesa dos interesses essenciais dos Figueiroenses, estamos convictos haverá de se deixar como obvia a ideia de que, envergando  a mesma camisola com as cores únicas  da bandeira Figueiroense, constituiremos  uma barreira que não será fácil de transpor”.

João Cardoso Araújo falou em representação do PSD, lembrando igualmente os 810 anos do concelho, reafirmado em 1514 pelo foral novo.

“Afinal, passaram 500 anos! O país mudou, o mundo mudou. As ambições dos homens mudaram. As gerações passaram, mas a terra que pisamos ainda é a mesma. Tornámo-nos, assim, responsáveis por uma herança que tem sido duradoura e promissora. Cabe-nos agora, geri-la e transmiti-la, acrescentada e melhorada, à próxima geração, para que o ciclo da vida continue e se perpetue no tempo… e na vida humana! Teremos, talvez, que reaprender os sonhos dos antepassados, e criar novos sonhos, para alcançar o sucesso desta empresa que nos colocaram nas mãos.”

Prosseguiu com uma mensagem de esperança, realçando os aspectos e valores positivos do concelho, terminando com uma frase que Malhoa um dia escreveu a um amigo:

“Isto é uma fase importante da minha vida, e disto dependeu, eu ser hoje o que sou, pouco ou muito, como quiserem.”

Falou de seguida o presidente da Câmara Municipal.

P6240128Depois de evocar os 810 anos da fundação do concelho e os 500 anos do foral manuelino, Jorge Abreu alertou a Assembleia para os riscos que pairam sobre o município, com ameaças de fusões de concelhos o risco de encerramento de serviços.

Lembrou que a situação financeira da autarquia, limitada pela obrigatoriedade de cumprimento do Plano de Saneamento Financeiro aprovado em 2011, associada à perda de receitas, condiciona a acção do executivo, mas que num contexto de tantos problemas sociais, torna-se vital o apoio social, pelo que anunciou que “na próxima reunião de Câmara será apresentado o programa CLDS – Gerações Activas, que em parceria com a Santa Casa da Misericórdia, resultará num conjunto de acções de Acompanhamento Familiar, de apoio sociocultural para crianças e jovens, para pessoas idosas e contemplará ainda uma vertente ligada ao Empreendedorismo”.

Afirmando que “municípios como o nosso devem beneficiar de um conjunto de medidas de discriminação positiva que melhor ajudem a combater a assimetria territorial que infelizmente caracteriza o nosso país” exigiu “uma lei das finanças locais menos penalizadora, exige-se uma política de incentivos fiscais para aqueles que aqui pretendam investir, exige-se um acesso bonificado a bens e serviços fundamentais como sejam a energia e a utilização das autoestradas” bem como “a manutenção e melhoria de todos os serviços públicos, serviços que respondam às necessidades de saúde, justiça, educação, apoio social entre outros”.

Anunciou igualmente um série de medidas com vista a relançar a economia no município aliadas à recente criação do Gabinete de Apoio ao Investimento: a reconversão da Casa Municipal da Juventude em Incubadora e Centro de Empreendedorismo; a criação de um novo documento regulamentar de apoio e fomento ao investimento e a conclusão do Parque Empresarial, a tornar uma realidade nos próximos meses, recordando que o “próximo quadro comunitário

vai dar lugar ao imaterial e às ideias inovadoras, diferenciadoras e geradoras e multiplicadoras de riqueza, exigirá uma estratégia, um esforço de criatividade”

P6240131Carlos Silva, presidente da Assembleia Municipal, encerrou a sessão, com um discurso que manteve o acento tónico semelhante aos anteriores, ou seja, da necessidade de políticas que garantam a coesão territorial, através da criação de emprego e da fixação de pessoas:

“Não basta querer fixar pessoas.

Não basta querer atrair o investimento.

Não basta querer trazer empresas que se fixem aqui.

Há que promover a implantação de serviços de qualidade que, juntamente com a empregabilidade, facilitem a integração dos trabalhadores, sobretudo aqueles que vêm de fora e que podem ser os novos dinamizadores do desenvolvimento local.

Educação e Ensino, Saúde, justiça, Finanças e Tesouraria da Fazenda Pública, Correios, equipamentos sociais, apoios não caritativos para jovens casais que potenciem o desejo de se fixarem por cá. Tudo isto é essencial se queremos cativar outros a juntarem-se a nós. É preciso apostar na qualidade e na concorrência. Na inovação e na qualificação de pessoas. Na formação, seja ela pela via normal de ensino, seja pela profissional.”

E alertou: “nesta luta contra a desertificação, contra o despovoamento, é preciso que estejamos unidos na procura de soluções, na partilha de contributos, no estabelecimento de consensos. Ninguém tem uma varinha de condão para tentar resolver, sozinho, esta árdua tarefa.” Terminando: E o dever chama-nos. Um combate forte, sem tréguas, ao imobilismo, à desesperança, ao infortúnio, ao carpir das mágoas, à proverbial descrença dos portugueses em se apoucarem a si próprios, mas que se conseguem transcender em grandes momentos.

Por Figueiró e pelos Figueiroenses, temos de saber Resistir. Pelo Futuro.

Eu acredito no Futuro de Figueiró dos Vinhos e do nosso País.

Estamos todos convocados para esta tarefa de Resistir ao Tempo e dar-mos futuro à nossa geração e, sobretudo, às próximas gerações.

VIVA FIGUEIRÓ

António B. Carreira

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