Caldos de Cultura na Casa de Pedrógão Grande apresentam livro de Luís Cunha

A Casa de Pedrógão Grande acolheu no passado dia 24 de novembro mais uma tarde de “Caldos de Cultura” na sua sede em Lisboa, onde o Dr. Aires Barata Henriques apresentou o livro do nosso conterrâneo Luís Cunha, “Os Heróis da nossa terra: Pedroguenses e Castanheirenses na I Guerra Mundial”, contextualizando a época e a forma como os nossos 167 homens (pedroguenses e castanheirenses) são convocados para uma guerra que, nas suas palavras, «não nos dizia respeito, nem compreendíamos claramente as posições, como é exemplo o facto de a embaixada alemã se manter em funcionamento em Lisboa, situação ambígua e confusa para quem mantinha uma aliança com Inglaterra».

Luís Cunha fez-nos lembrar o facto de não haver qualquer referência a estes homens nos seus concelhos, referindo ser esta a principal motivação para levar a cabo esta investigação, que durou quatro anos e se materializou neste livro que pretende homenagear estes nossos conterrâneos, heróis da nossa terra.

A Professora Doutora Teresa Denis, diz ter começado com algumas reticências quanto ao adjetivo heróis no título, dado que a condição lhe pareceria mais a de mártires. Contudo, hoje diz subscrevê-lo: não pelo envolvimento destes homens na guerra, mas pela forma como vivenciaram esse tempo em condições sub-humanas, tendo sido capazes de manter uma réstia de humanitude e de até cultivar o sentido estético: como são exemplos o trabalho artístico da caixa de fósforos manufaturada em latão, e especialmente a caneta feita pela união de duas balas – que, em vez de matarem, registaram pela escrita palavras que recordam vivencias e emoções capazes de humanizar aquele espaço onde o medo e a morte sempre espreitam. Concluindo assim que «os nossos mártires são heróis».

Seguiu-se o magusto com castanhas da nossa terra, bucho da nossa confraria, aquecido com caldo verde e regado com água pé e medronho da encosta do Cabril. Honrando os produtos de Pedrógão Grande, viveu-se uma tarde de convívio fraterno, animado pelo dedilhar das concertinas do Tó Braga e seu companheiro Augusto, que fizeram bailar e cantar todos os presentes, lembrando da etnografia as cantigas e cantares da nossa terra.

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