Associação de Vitimas do Incêndio de Pedrógão Grande sofre as primeiras baixas directivas devido a divergências

Um movimento da iniciativa dos próprios familiares das vítimas mortais e amigos que visou  a constituição de uma associação á qual por Despacho nº 9531, publicado no Diário da República II Série nº 209/2017, foi reconhecida de  utilidade pública , tem como objectivo acompanhar os trabalhos de apuramento das responsabilidades naquela que foi considerada a maior tragédia nacional em matéria de fogos florestais, em termos de poder de destruição e de vítimas mortais. Pretende ainda prestar apoio social, jurídico e técnico às vítimas, formar a população em medidas de autoprotecção contra incêndios florestais, entre outras medidas e acções, bem como prestar uma homenagem aos falecidos através da construção de um memorial. Recebeu o apoio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, passou a noite e parte do dia de Natal com a população de Nodeirinho

Revelado pelo jornal Expresso do passado dia 17, tendo em atenção decorridos seis meses da sua criação formal,

fomos surpreendidos pela informação a direcção acabar de sofrer duas baixas consideradas de algum peso para dar continuidade aos seus objectivos.

A vice-presidente Dina Duarte, e a irmã do único bombeiro morto na tragédia, Belmira Morgado, pediram o afastamento das suas funções.

“A vida é feita de ciclos e o meu ciclo na AVIPG, enquanto vice-presidente terminou, quando questionada sobre as razões do pedido de demissão. A AVIPG é maior que qualquer um dos associado, tem a nobre missão de cuidar dos familiares das vitimas e dos que por cá continuam a viver”, completa. Garante, contudo, que não se afastará do voluntariado. “Vivo em Nodeirinho, uma aldeia como todas as outras que foram martirizadas pelos incêndios de 2017, onde há aspectos que já deveriam ter sido sanados, designadamente limpeza de terrenos, zonas de protecção e reflorestação, o retirar dos escombros das ruínas e o pensar as segundas habitações… São estes os projectos que terão a minha atenção e acção prioritária. “Belmira Morgado, empresária e proprietária da maior fábrica de lanifícios de Castanheira de Pera é mais sucinta. “Não tenho tempo para dar o acompanhamento devido ao projecto”.

O rosto mais conhecido da associação é o de Nádia Piazza, a presidente da SVIPG. Sem querer entrar em detalhes sobre as razões das demissões, explica que a “AVIPG não é uma associação que uma sociedade dita civilizada queira ter. Mas, chegados ao ponto em que chegamos, a morte de 67 pessoas e mais de 200 feridos, é uma associação que uma sociedade precisa de ter para que nunca mais volte a acontecer o que Portugal viveu em 2017, para que nunca mais se esqueça o que é deveras importante: o respeito pela vida humana e tudo que é preciso garantir para tal. Porque cada vida conta. “Diz ainda que” as pessoas são livres para darem de si, entregarem-se às causas na medida das suas disponibilidades. Exigir mais das pessoas, num momento de trauma e de reconstrução das vidas, é violentá-las. Somos uma associação de pessoas magoadas e feridas, cujas mazelas precisam de tempo para sarar”.

Quem ficou preocupado com as divergências na associação foi Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou a fazer telefonemas para tentar evitar a ruptura, lamentando a possibilidade de a associação ver fragilizado o seu funcionamento e capacidade de reivindicações.

Sabe-se no entanto que um dos motivos que esteve na origem das divergências foi o envolvimento da AVIPG com projectos para os quais poderá não ter capacidade financeira para responder.

O principal será o das aldeias resilientes, que visa capacitar 25 comunidades para reagir  a castáforfes de forma autónoma de instituições como a Protecção Civil, os bombeiros ou o INEM.

O principal parceiro da associação nesta iniciativa é a Aprosoc – Associação de Protecção e Socorro, grupo de voluntários que dará apoio técnico ao projecto, cuja dimensão terá sido contestada por alguns dos membros da direcção da AVIPG em função das exigências de funcionamento. Contactado, o presidente da Aprosoc, João Saraiva, explicou que a dimensão será reduzida para, numa primeira fase, abranger apenas 13 aldeias, minimizando as exigências de financiamento.

 

 

 

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