António Varanda: Investimento

Entre o otimismo e o ceticismo de cada cidadão, uma coisa é certa: os economistas da macroeconomia e da política têm acesso, mensalmente, ao relatório do IGCP – Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública -, um importante documento que espelha a situação económica e financeira do País.

A última publicação, quanto à dívida pública, refere que, desde 1 de janeiro a 30 de abril do corrente ano, a dívida pública passou de 251 mil milhões para 259 mil milhões de euros. Em quatro meses, a dívida subiu 8 mil milhões de euros, numa média da ordem de 2 mil milhões de euros ao mês.

Com esta informação, cada vez mais me preocupam questões que os nossos decisores políticos estão a deixar para as gerações futuras, nomeadamente em termos de investimento público de “fachada”, só para “inglês ver”; tudo muito bonito, mas que não produz riqueza e que, no futuro próximo, vai necessitar de manutenção, com os inerentes encargos financeiros. Exemplo atual e da moda local: construção de passadiços.

Não me alongando mais, vou ser direto e falar dalguns exemplos de investimento público outrora construído e que, volvidas algumas décadas, se encontram completamente votados ao abandono no concelho de Castanheira de Pera: o restaurante da Cova das Malhadas (ainda se pode observar a placa evocativa da inauguração); a Piscina do Valseá, que apenas serve de depósito de uns pseudo escorregas em fim de vida (com pegada ecológica de cerca de 600Km para a cova final); os tanques de abastecimento das aeronaves no combate aos incêndios florestais – pista do Santo António da Neve (ainda se pode observar a placa do Sr. Ministro que fez a inauguração); o Capril/ Queijaria no Coentral: aí sobram os ratos.

Também não posso deixar de referir o património respeitante a antigas empresas fabris em avançado estado de degradação, atualmente propriedade do Estado – por exemplo, a fábrica da Várzea e a Fiandeira/Barros III, assim como as típicas Casas dos Guardas Florestais – ou, mesmo, propriedade do Poder Local, como seja a Fábrica das Sarnadas, as famosas Escolas Primárias, em decadência, a cantina da escola da Vila… Ai se o Prof. Doutor Bissaya Barreto voltasse, iria com certeza morrer de susto por ver a sua obra tão desprezada, incluindo a citada Cantina, ademais, com a sua cor preferida adulterada (o azul)!

É, pois, imperioso deixar de edificar novo sem preservar o existente. É, pois, este o apelo que quero lançar a quem de direito.

Os exemplos supracitados poderiam ser extensivos a outros territórios, pois exemplos de má governação, ao longo de décadas, são incontáveis, como o lamentável caso do Metro Mondego.

Como nota final, deixo um “like” à recuperação do pavilhão da Retorta, após a destruição provocada pelo grande incêndio de 2017. Que lhe seja dada utilidade no futuro, como teve no passado, quando Castanheira de Pera se encontrava no top no setor dos lanifícios.

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