António Pedro Carreira – Pluridisciplinaridades Temáticas


Mais um mês se passou e pouco evoluímos, em vários aspectos. Nas respostas às perguntas mais básicas: e daqui para a frente, como é? Os nossos Bombeiros terão o devido apoio quando regressarem? O acompanhamento psicológico está a ser e será o adequado doravante? O Governo assumirá a totalidade das suas responsabilidades enquanto representante da Nação? É que o que me parece é que estamos a nadar no vazio e que assim, por mais força que exerçamos nos remos, não vamos sair do mesmo sítio. As falhas continuam, as mesmas de sempre. A colheita do desinvestimento de décadas na Protecção Civil – a verdadeira, não aquela que alimenta os meninos bonitos que, como não sabem fazer mais nada, assumem cargos em que se gerem vidas humanas. O desinvestimento na saúde, que condena quem necessita de uma resposta rápida e adequada, a uma luta desigual em que a sorte ganha um papel ainda mais determinante na sobrevivência. A insistência no SIRESP que revela bem ao que estamos entregues… enfim, como se costuma dizer, e no nosso caso infelizmente a expressão é literal: “uma casa a arder”.
Pois bem, se é necessário tomar medidas, pois que se tomem. Que se lute e faça o barulho necessário para que nós, aqui no interior, possamos obter respostas palpáveis às nossas carências. Porque tenho estado na linha da frente no apoio às famílias e sinto, nitidamente, que a população carece principalmente de respostas que lhes permitam aliviar um pouco a pressão de uma vida destruída em minutos. E porque nos cabe a nós exigir e cuidar dos nossos, é para mim claro que se ficarmos inertes, então a inércia a que estamos habituados no nosso País, tomará as rédeas desta carruagem. E, como fomos habituados, cada um cuida das suas dores e das suas feridas… e não tem que ser assim. Não pode ser assim.
É preciso que compreendamos, ainda que estejamos cansados e desgastados por esta tragédia, que não fomos só vítimas de S. Pedro. Somos as vítimas da irresponsabilidade, do desinvestimento, da inconsequência e impunidade, do arrastar de décadas de displicência, em que a nossa segurança foi desprezada e espezinhada, em que o nome Protecção Civil e tudo o que rodeia o termo, foi achincalhado e desvalorizado…
Precisamos de medidas, e precisamos de medidas já.

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