António Marinho e Pinto passou por Castanheira de Pêra

António Marinho e PintoNo passado dia 6, se por acaso se cruzou nas ruas de Castanheira de Pera com alguém que pensou ser muito parecido com o Ex. Bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. António Marinho e Pinto, provavelmente cruzou-se com o próprio.

Numa visita longe das formalidades com que habitualmente esta vila recebe as individualidades, o Dr. António Marinho e Pinto visitou pela primeira vez a vila de Castanheira de Pera.

Como não poderia deixar de ser, o nosso jornal não deixou escapar a oportunidade de conversar com o agora candidato da lista do Partida da Terra (MPT) ao Parlamento Europeu.

O Ribeira de Pera: Ex. Bastonário da Ordem dos Advogados agora, candidato a Deputado ao Parlamento Europeu pelo Partido da Terra (MPT). Como chegou até à política?

Dr. António Marinho e Pinto: Numa sociedade democrática tudo é política, aquela distinção tradicional entre a política e outras atividades é própria da cultura das ditaduras e dos totalitarismo. Tudo aquilo que interessa à pólis obviamente que é política.

Agora, eu não fiz política partidária enquanto estive na Ordem dos Advogados porque naturalmente em primeiro lugar representava uma classe que ela própria varia muito, é uma classe muito plural do ponto de vista ideológico e do ponto de vista político e portanto não faria sentido eu estar a fazer política na Ordem dos Advogados. Depois, a Ordem dos Advogados tinha em si mesmo objetivos específicos, tinha um estatuto, tinha atribuições legais que impediam de ter intervenções partidárias e eu não tive!

Posso dizer-lhe que fui convidado algumas vezes durante o tempo em que desempenhei o cargo para me candidatar e recusei sempre e nunca aceitei ter qualquer intervenção política. Tinha intervenções cívicas ou seja, em defesa daquilo que considerava ser e que eram efetivamente as atribuições da ordem, defesa do estado de direito, defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cida

dãos. No fundo, a transição para esta intervenção agora formalmente e abertamente política foi fácil porque eu no fundo estou quase a defender os mesmos objetivos, a defesa do estado de direito e a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos que tão desrespeitadas têm sido aqui em Portugal.

O Ribeira de Pera: Um dos seus lemas de campanha é “Liberdade, justiça e solidariedade”…

Dr. António Marinho e Pinto: – Sãos os três grandes pilares da minha candidatura ao Parlamento Europeu. Liberdade porque a liberdade é a matriz da democracia, justiça porque a justiça é a matriz do estado de direito, solidariedade porque é a matriz do estado moderno.

Não podemos deixar abandonar os nosso idosos, não podemos abandonar as nossas crianças, não podemos abandonar os nossos deficientes, não podemos abandonar os nossos emigrantes e portanto nós temos um dever de solidariedade para com essas pessoas e o caso dos idosos mais do que um dever de solidariedade, é uma dívida de gratidão.

Eu estudei gratuitamente em escolas públicas em Portugal porque essas escolas eram pagas por esses idosos quando estavam na vida ativa, eu tratei-me gratuitamente em hospitais públicas, sem taxas moderadoras porque esses hospitais eram pagos com os impostos daqueles que hoje são reformados, os idosos de hoje e portanto eu tenho para com eles uma divida de gratidão e essa dívida de gratidão nós temos de a respeitar, não podemos abandonar os nossos idosos, não podemos amputar as suas reformas, não podemos retirar-lhes

o dinheiro de que eles precisam para viver com o mínimo de dignidade. Temos de garantir o mínimo de dignidade no final de vida a essas pessoas e portanto no fundo, o discurso que eu tenho hoje,o discurso político inserido numa candidatura política a um órgão político europeu é o discurso substantivo que eu tinha na Ordem dos Advogados: defesa da dignidade da pessoa humana, o respeito pelas pessoas, coisa que em Portugal parece que foi abolido à alguns anos.

O Ribeira de Pera: Estamos no Interior do país e não podemos deixar de falar no nosso Interior ….

Dr. António Marinho e Pinto: – É outra dimensão da solidariedade pela qual me bato.

Os últimos governos têm desenvolvido poticas de abandono do Interior. Políticas que deprimem o Interior, políticas de encerramento de serviços públicos, políticas que levam as pessoas a abandonar as zonas do Interior para irem engrossar muitas vezes as fileiras miseráveis dos grandes centros urbanos. Eu costumo dizer que no Interior do país, e eu sou do Interior, de Amarante, uma aldeia da serra do Marão, há pobreza mas não há miséria. A miséria existe em Lisboa, no Porto, nos subúrbios dessas grandes cidades.

Nas zonas do Interior, nas aldeias de Portugal, mesmo as mais recondidas, as pessoas tiram grande parte daquilo que comem da terra. Nas grandes cidade grande parte daquilo que certas pessoas comem tiram dos caixotes dos lixo e portanto, o Estado tem a obrigação de promover, de desencadear políticas que promovam a fixação de pessoas nas zonas do Interior.

É deprimente ver, quem viu Castanheira de Pera à algumas décadas e quem a vê hoje, bonita arejada e sem pessoas. Anda-se aqui no centro da vila e não há pessoas, isto é terrível, isto é resultado de políticas que são feitas por pessoas às quais eu costumo chamar bentinhos e betinhas de Lisboa.

É preciso que as pessoas do Interior votem nas eleições políticas e em políticos que promovam o desenvolvimento do Interior. As pessoas do Interior e dos grandes centros urbanos têm os mesmos direitos, ambos são portugueses, todos somos portugueses e todos devemos ser tratados pelo Estado de forma igualitária e não como têm sido tratados nas últimas décadas.

O Ribeira de Pera: Podemos então afirmar que uma das suas promessas de campanha é sem dúvida a defesa do Interior do país?

Dr. António Marinho e Pinto: – Sim, sem duvida, o desencadeamento de políticas que fixem as pessoas no Interior do país, sobretudo de não encerramento de serviços públicos. Aliás, até lhe posso dizer que aqui relativamente a Castanheira de Pera, um dia que tenha poder de decisão política em Portugal, abrirei um tribunal em Castanheira de Pera porque, todas as sedes de concelho, todas as localidades que têm dignidade para ser sede de concelho devem ter um tribunal. Não é que esteja aqui permanentemente um juiz, basta vir cá uma ou duas vezes por semana conforme

o volume de trabalho. O mesmo juiz pode fazer várias comarcas em vários concelhos ao mesmo tempo. É preciso um símbolo da soberania nacional, um símbolo da coesão nacional, um símbolo da paz social e esses símbolos são os tribunais e não é nada caro ter aqui um tribunal se envolvermos outras entidades aqui do concelho.

O Ribeira de Pera: Embora saibamos que o Dr. Marinho Pinto é de esquerda, mostra-se contra a coadopção.

Dr. António Marinho e Pinto: – Isso não é de esquerda nem de direita. Eu sou contra a coadoção porque os homossexuais têm todos os direitos menos o direito de tirar um pai a uma criança ou de lhes tirar uma mãe.

Todas as crianças têm direito a um pai e uma mãe. E, não é licito ao Estado entregar crianças a dois homens em vez de a um homem e uma mulher. Não há dois pais, não há duas mães, há um pai e há uma mãe. E, dois pais não substituem a ausência de uma mãe e duas mães não substituem a ausência de um pai. E além disso, esta lei que foi chumbada no Parlamento é uma lei que ela própria é fraudulenta. Incentivava a fazer, pela portas das traseiras aquilo que impedia de entrar pela porta de entrada ou seja, a lei não permite a adoção mas permitia a coadopção. Então admitissem a adoção, mas não, levava as pessoas a fazerem isto: agora adoto eu e depois casamonos e coadotas tu. Isso é fraudulento!

Depois, é muito importante esta ideia: ninguém tem o direito a adotar. Quem tem o direito a ser adotadas são as crianças e adotadas por uma família que reconstitua o mais próximo possível a família natural que a gerou, que lhe deu origem: um pai e uma mãe.

Não podemos admitir que uma criança tenha na filiação do bilhete de identidade dois pais e não tenha mãe, filho de mãe incógnito ou tenha o nome de duas mães e não tenha pai, filho de pai incógnito.

Isto não é de esquerda nem de direita, ou defendemos, ou acreditamos ou valorizamos a ordem natural das coisas. Como disse não é de esquerda nem de direita até porque há muitas pessoas de direita que são a favor da coadoção e há muitas pessoas de esquerda que são contra a coadoção.

O Ribeira de Pera: Abrangendo os assuntos da ordem, o dia 17 foi o dia da “saída limpa”, Portugal tal como a Irlanda não recorreu a qualquer programa cautela, Pedro Passos Coelho referiu até que “temos reservas financeiras para um ano”. Foi esta a decisão mais acertada para o país, para os portugueses?

Dr. António Marinho e Pinto: – Essa de se gabar que tem reservas financeira para um ano, para mim é de um cinismo maquiavélico porque, os sacrifícios que ele impôs ao povo português, o dinheiro que ele tirou muito às vezes quase de forma ilícita aos segmentos mais frágeis da população portuguesa deveriam fazer com que ele tivesse respeito por essas pessoas e não andar aí a vangloriar-se. Não é resultado da ação do governo, isso foi a pilhagem que foi feita aos rendimentos dos portugueses, sobretudo dos segmentos mais frágeis.

Eu não sei se essa chamada “saída limpa” é assim tão limpa porque, há muitas pessoas que faleceram porque não tinham dinheiro para comprar medicamentos, não tinham dinheiro para pagar taxas moderadoras para irem aos hospitais, fecharam-lhe o centro de saúde que as atendiam.

É evidente que os mortos não incomodam, só incomodam aqueles que têm consciência e os nossos governantes infelizmente não têm consciência, não tiveram consciência. Nós sofremos um programa de ajustamento como em poucas partes do mundo se fez, e isto fez-se mais por questões ideológicas do que por questões de natureza económica ou orçamental. É esta a ideologia daquelas pessoas que subiram ao governo a prometer exatamente o contrário do que fizera. Esta pessoas que subiram ao governo deitaram a baixo o governo anterior, do engenheiro José Sócrates, acusando-o de querer retirar os salários, de reduzir os salários, de querer tirar o décimo terceiro mês, de querer aumentar os impostos. Isto é uma burla política, este governo quer a ascensão ao poder, a força como exerceu representa a mais gigantesca burla política da nossa história moderna. E isto deve ter consequências, os portugueses não se devem deixar iludir nas próximas eleições. Quem trouxe a Troika para Portugal foram quatro partidos, PSD, CDS, PCP, CDU e o BE, porque reprovaram um plano de auxilio da União Europeia e do Banco Central Europeu. Deitaram a baixo o PEC IV e com ele a queda do governo. Esses é que devem responder pelas malfeitorias que a Troika fez em Portugal. Eu não sou do Partido Socialista, e tenho muitas poucas coisas a seu favor mas, cada coisa a seu dono, o seu a seu dono. O engenheiro Sócrates e o governo anterior bateu-se como nenhum outro contra a vinda da Troika, os outros é que a queriam por razões partidárias, e conseguiram traze-la para Portugal.

O Ribeira de Pera: Para terminar gostava que o Dr. Marinho Pinto dirigi-se algumas palavras ao povo do Interior do país. Dr. António Marinho e Pinto: – É na zona do Interior do país que se encontram alguns dos valores que eu mais prezo na minha vida pública e na minha vida privada como cidadão, a honradez, a palavra,

o respeito pelos outros, o respeito pelos direitos dos outros, pela propriedade dos outros, por aquilo que é dos outros.

Nas grandes cidades tudo isso está a desvanecer-se. Não se pode acreditar em ninguém, a começar pelos nosso governantes, dizem hoje uma coisa e amanhã fazem outra. Prometem hoje isto e amanhã fazem aquilo. Acho que no Interior ainda há esse culto da honradez, ainda há esse culto da honra pessoal que não existe infelizmente nos grandes centros urbanos.

O que eu incentivo as pessoas de Castanheira de Pera, deste concelho é lutarem pelo progresso desta terra, não cedam às tentações de abandonar Castanheira de Pera e ir morar para os grandes centros urbanos porque é muito difícil lá triunfar.

É ilusório aquilo que se vê na televisão, é ilusório aquilo que se vêm nas telenovelas com que encharcam os tempos livres das pessoas. As televisões infelizmente não mostram as centenas ou milhares de pessoas à noite a remexer os caixotes dos lixos e não são indigentes, não são mendigos, são pessoas com casa e com família a aproveitar os restos dos supermercados e dos restaurantes,os restos das frutas, e dos legumes. É aí que vão buscar grande parte da sua alimentação.

Portanto, exorto as pessoas de Castanheira de Pera a lutarem pelo desenvolvimento desta terra e a não a abandonarem, a não saírem daqui. Nós temos o direito a que as nossas terras sejam favorecidas por políticas iguais às dos grandes centros urbanos. Nós somos portugueses iguais aos de Lisboa, Porto ou Coimbra e portanto temos o direito a ser tratados igualmente pelo governo e há que utilizar o voto de forma correta.

Por isso é que eu apelo ao voto na minha candidatura ao Parlamento Europeu, na candidatura do Partido da Terra (MPT) porque nós vamos promover políticas de fixação e apoio às pessoas do Interior e vamos lutar por isso na Europa. Há verbas na Europa, há apoios europeus para fazermos realmente a Europa das regiões mais do que a Europa dos estados, a Europa das regiões e para apoiar políticas de desenvolvimento do Interior que fixem as pessoas no Interior, seja em Castanheira de Pera seja em Amarante, que é a minha terra.

A desmoralização é a principal aliada dos centralistas de Lisboa, é preciso combater aquela cultura de que Lisboa é a capital do Império.

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