Aires B. Henriques: Major Neutel de Abreu

Major Neutel de Abreu, por Aires B. Henriques

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Neutel de Abreu em 1904, quando foi promovido a Tenente.

 

 

Neutel Martins Simões de Abreu nasceu na Várzea Redonda, no concelho de Figueiró dos Vinhos, em 1871, e aí virá a falecer em 1945 com 74 anos de idade, depois de como militar ter prestado importantes serviços na região de Nampula, no norte de Moçambique, onde permaneceu mais de trinta anos.

Era filho de Domingos António Simões e Maria das Dores Ferreira de Abreu, moradores nesse concelho de características predominantemente rurais e de montanha, pelo que o jovem Neutel de Abreu – completada a instrução primária – certamente ficou entregue aos trabalhos agrícolas próprios da região.

A atracção por África

Mas insatisfeito com a vida de serrano que então levava, pediu para assentar praça como voluntário no Regimento de Infantaria nº 15, em Tomar, e – depois de ter passado pelo Regimento de Infantaria 11 de Setúbal (1888) – rumou a Macau em 1890. “Não o seduziu, porém, a vida tranquila de que aí desfrutava, pelo que pediu transferência para Angola, onde permaneceu por 4 anos, regressando a Lisboa em 1895”[1].

Na sequência do Ultimatum inglês de 11 de Janeiro de 1891 e das políticas de ocupação territorial que se lhe seguiram, “o norte da província de Moçambique encontrava-se numa inquietante situação, em virtude da rebeldia abertamente manifestada por numerosos grupos de Macuas e Namarrais que a campanha de 1895 não pacificara definitivamente”.

Em 1896 é identificada a região Mehehe do Régulo Terela M’Phula (Nampula) como estratégica para a construção de um posto militar, e assim se viabilizar a sua ocupação e pacificação, sendo Neutel de Abreu nomeado comandante do posto de Moginqual, em que – em breve – dará provas da sua capacidade, pois, segundo os seus biógrafos, de onde “não existia um único caminho, de lá iniciou a sua acção para o interior, dominando os rebeldes, abrindo estradas e pacificando as populações”.

“Embarca seguidamente para Angola onde, também ali, o seu espírito irrequieto se aborreceu, pelo que pediu transferência para a Companhia de Guerra de S. Tomé e Príncipe. Contudo, em 1897, fortemente atacado pela febre biliosa, teve – mais uma vez – de regressar à Metrópole”.

Mas, logo no ano seguinte, parte para Moçambique, onde uma recaída – com nova biliosa – o obriga de novo a regressar. Mesmo assim, Neutel de Abreu não desiste e, em 1899, “volta de novo a Moçambique, impondo a autoridade portuguesa em toda a região de Namuco e Luinga”.

Em 1903, já no posto de Alferes, participa da campanha de Matadane “levada a efeito contra vários régulos que, instigados por Muhamuieva (a que os ingleses apelidavam de Fareley), hostilizavam abertamente os comerciantes brancos que quisessem atravessar as suas terras”.

“Em Março de 1904 é organizada nova força, tendo à frente Neutel de Abreu, enfrentando toda a espécie de obstáculos numa região de difícil acesso e que, ao chegar próximo de Nacucha, é recebida por um intenso tiroteio à queima-roupa que criou pânico entre os soldados. Mas, depois de renhido combate, os rebeldes retiraram. Seguiram-se outras acções de menor vulto e a 1 de Maio desse ano a campanha era dada por concluída”.

“Terminadas as operações de Nacucha, regressa ao seu posto no Moginqual (onde), embora cansado e febril, continua a sua acção de diálogo e pacificação dos indígenas, abrindo novas estradas, montando linhas telegráficas, numa obra admirável de esforço e inteligência”.

“Em 25 de Junho de 1904 é promovido a Tenente e novos louvores e citações vêm aumentar a sua já brilhante folha de serviços”.

[1]  Vide  http://arquivo.presidencia.pt/details?id=36196

Continua na próxima edição

 

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